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Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

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Viver Sem Algoritmos: A Busca pela Autenticidade

25.07.25 | Vânia

yoga eu.jpg

 

Durante muitos anos, estive longe das redes sociais.
Havia algo nelas que me incomodava profundamente,
algo que me fazia sentir desconforto,
como se um pedaço de mim fosse arrancado sem querer.
O mundo virtual, com as suas exigências,
não fazia sentido no meu ritmo calmo e introspectivo.

 

Quando me tornei professora de Yoga,
achei que deveria fazer diferente.
O trabalho precisava ser mostrado,
o mundo precisava saber o que eu tinha para oferecer.
E assim, com um passo hesitante, entrei.
Era quase uma obrigação.

 

Rapidamente, percebi que não bastava ser eu mesma.
O algoritmo, esse mestre invisível, exigia mais.
E foi assim que passei a tentar agradar,
tentando pertencer a um padrão,
a uma estética imposta,
como se a minha autenticidade tivesse de ceder
ao que os outros esperavam ver.

 

Como uma adolescente,
tentava encaixar-me onde não cabia,
onde a perfeição era exigida
e onde tudo parecia moldado
para a aprovação de um sistema sem rosto.
Na busca por algo que se chamava “sucesso”,
pensava que a exposição era a chave —
quanto mais mostrasse, mais conquistava.

 

Mas, ao longo do caminho, percebi algo.
Essa exposição não trazia alunas,
não trazia oportunidades.
Nada de verdadeiramente novo.
E o que parecia tão importante,
a constante aprovação, a constante visibilidade
não fazia mais sentido.
O boca a boca, aquele que vem do coração,
a verdadeira recomendação,
era o que importava.

 

Mesmo assim, continuei,
como se estivesse presa a uma roda que não parava.
Como se tivesse de mostrar sempre algo para existir,
como se, de alguma forma, precisasse
que os outros soubessem tudo o que eu fazia.
Estava dentro da máquina,
com a sensação de que algo ali não estava bem,
mas sentindo que não podia sair.
Até que o cansaço me encontre,
até o medo do excesso de exposição me paralisar.

 

Para onde estamos a ir?
De que forma estamos a ser enganados
ao acreditar que precisamos mostrar tudo o que fazemos?
Para quem? Realmente, para quem?
Na minha infância, a minha mãe costumava dizer:
"Quanto menos souberem do teu mundo, mais livre será a tua alma."
A nossa vida era algo só nosso,
algo belo, devidido com aqueles que nós escolhiamos.
Por que agora temos a necessidade de expô-la?
Por que mostrar tanto da realidade e do que não é real?
Isto só nos faz mais um na multidão,
a fazer o mesmo, a mostrar o mesmo,
o suposto perfeito, o ideal...

 

Cansaço.
Cansaço de viver para agradar um algoritmo.
Cansaço de ser apenas mais uma cópia,
mais uma imagem congelada,
mais um pedaço de perfeição fabricada.
Quero viver no mundo real.
Quero viver no ritmo da minha alma,
sem pressa, sem máscaras,
sem filtros, sem cópias,
sem perfeito.

 

Não precisamos de mostrar tudo,
não precisamos de ser todos iguais.
O que importa é o que fazemos com verdade,
com as mãos e com o coração.
A beleza está na nossa essência,
não na validação do mundo exterior.
E, talvez, a maior liberdade seja
não seguir a corrente,
mas encontrar o nosso próprio caminho,
quieto, real e inteiro.