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Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

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Por que deixei de fazer Meal Prep e abracei o minimalismo na cozinha

21.07.25 | Vânia

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Quem se passeia pela internet sabe que o meal prep — preparar todas as refeições da semana ou até do mês num só dia — está muito na moda. Há milhões de vídeos e publicações sobre o assunto. Durante bastante tempo, também segui essa tendência. Às segundas-feiras, preparava todas as refeições da semana.

 

Antes de mais, para contextualizar: não trabalho a tempo inteiro. Dou aulas de Yoga, essencialmente ao final do dia, e durante o dia estou dedicada à minha filha, à casa e a outras tarefas do dia a dia.

 

As segundas-feiras eram quase inteiramente dedicadas à cozinha. Devo dizer que preparava apenas 4 a 5 jantares diferentes, e os almoços eram, na maioria das vezes, sobras do jantar da noite anterior. Mesmo assim, a cozinha ficava de pantanas: fazia duas máquinas de loiça, sujava muito a cozinha e passava horas entre tachos e panelas. No fim, sim, tinha cinco refeições prontas — mas também uma cozinha suja e um cansaço acumulado.

 

Dizem os entendidos que bastam duas horas para preparar todas as refeições da semana, mas a mim levava-me mais de quatro. Para além de não querer preparar 5 refeições iguais para a semana toda ainda tinha a limpeza e toda a louça acumulada. Também reconheço que não simplificava nada as receitas — às vezes fazia pratos mais elaborados, com muitos passos e utensílios.

 

Com o tempo, esse sistema deixou de fazer sentido para mim. É verdade que durante a semana era confortável não ter de pensar no jantar, mas os contras passaram a superar os prós.

 

O que me fez deixar o meal prep

Estas foram algumas das desvantagens que notei:

  • Por vezes sobrava comida, porque as doses não estavam bem ajustadas às necessidades ou preferências de cada um.
  • Às vezes, chegava à quinta-feira e já não havia comida suficiente, o que obrigava a voltar a cozinhar.
  • Nem sempre apetecia comer o que estava pronto. E comer por obrigação nunca me soube bem.
  • A comida aquecida não tem o mesmo sabor nem textura da comida acabada de fazer. Ao fim de quatro dias, nota-se.
  • A quantidade de louça acumulada num só dia tornava-se uma sobrecarga.
  • A cozinha precisava de uma limpeza profunda no final de todas as preparações.
  • Era um dia muito cansativo e quase totalmente dedicado à cozinha e à limpeza.

 

O que faço hoje

Hoje posso dizer que abracei o minimalismo na cozinha. Faço apenas uma refeição cozinhada por dia: o jantar. Os almoços são iguais ao jantar da noite anterior ou alguma sobra de um jantar anterior. 

Antes de cozinhar, dou sempre uma vista de olhos ao frigorífico e tento aproveitar o que já está feito ou começado. Às vezes basta cozer um pouco de arroz, saltear uns legumes ou cozer ovos para termos uma refeição completa, rápida e saborosa.

Mantenho sempre em casa os ingredientes básicos que permitem fazer refeições simples e do dia a dia: arroz, massa, leguminosas, molho de tomate, carne, peixe, ovos, legumes... Não é preciso complicar nem inventar muito. O essencial está nas escolhas simples e conscientes.

Tenho na arca uma folha com o inventário de tudo o que lá está guardado. Na despensa, mantenho tudo à vista — seja nas embalagens originais ou em frascos de vidro. No frigofico mantenho tudo, igualmente, guardado nas embalagens originais ou  em caixas transparente. Assim, rapidamente consigo visualizar o que tenho disponível e, com base nisso, preparo a refeição que me vier intuitivamente à cabeça. É tão libertador guiar-me pela intuição, sem listas, sem planos rígidos, sem menus fixos.

Quando é mesmo necessário cozinhar de raiz, escolho sempre receitas simples e rápidas, que sujem pouca loiça e que, claro, sejam saudáveis e nutritivas. Comer bem não tem de ser complicado. As modas e as tendências alimentares vieram confundir a forma como nos relacionamos com a comida — e muitas vezes, em vez de facilitar, baralham ainda mais.

Adoptei métodos de confeção simples e práticos: cozer, grelhar, estufar ou usar a air fryer. E agora, no verão, as saladas são uma bênção. No inverno as refeições de uma só panela como estufados ou sopas nutritivas são excelente opções. 

Tenho em atenção para que as minhas refeições tenham sempre proteina, hidratos, fibras e gordura saudável. 

 
Vantagens de cozinhar uma vez por dia:
  • Muito menos louça para lavar.
  • Menos tempo passado na cozinha — as refeições demoram entre 10 e 30 minutos a preparar.
  • A cozinha mantém-se limpa com menos esforço.
  • Comemos sempre comida fresca, feita na hora ou no próprio dia.
  • Maior controlo das quantidades e menos desperdício.
  • Comemos aquilo que realmente nos apetece.

 

 

O que aprendi com esta experiência foi que nem sempre o que está na moda se adapta à nossa realidade. O meal prep pode funcionar muito bem para algumas pessoas, mas para mim, acabou por ser mais uma fonte de desgaste do que de praticidade. Ao simplificar a forma como cozinho e como me relaciono com a comida, ganhei tempo, leveza e prazer nas pequenas escolhas do dia a dia.

 

Hoje valorizo o ato de cozinhar como parte do meu ritmo de vida — mais intuitivo, mais presente e muito mais conectado com o que realmente importa. Comer bem não precisa de complicações, e às vezes, menos é mesmo mais. Cozinho uma vez por dia, comida simples, saborosa e saudável. Porque comer e cozinhar não tem de ser complicado.