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Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

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O Destralhe sem Sentido: Uma Reflexão sobre o Minimalismo

09.09.25 | Vânia

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Quando abracei o minimalismo, percebi que o primeiro passo essencial era o destralhe. Foi quase um ritual de libertação: abrir gavetas, rever armários, olhar para cada canto da casa e perguntar o que fazia sentido permanecer e o que já não tinha lugar na minha vida. Não ficou de fora o roupeiro, as amizades, os compromissos, os hábitos acumulados ao longo dos anos. Tudo aquilo que não acrescentava, que não era essencial, saiu. Curiosamente, nada do que deixei me fez realmente falta.

O grande destralhe aconteceu quando troquei Lisboa pelo Alentejo. Não queria carregar peso desnecessário, nem físico nem emocional. Doei livros que amava, acessórios de bebé carregados de memórias, roupas que tinham feito parte de fases diferentes da minha vida. Esse desapego foi menos difícil do que poderia imaginar; na verdade, libertou-me. O que realmente se revelou doloroso foi a própria mudança: transportar uma casa inteira de um 10º andar para outra a quase 300 km de distância foi uma tarefa colossal, mesmo depois de um enorme destralhe. 

Depois da mudança, no entanto, percebi que o minimalismo não termina com a doação. Mantive a necessidade de simplificar, mas dei por mim a desfazer-me de coisas que, mais tarde, percebi que fariam falta. Nada de extrema importância, é verdade, mas o suficiente para me fazer refletir sobre os limites desse destralhe constante que o minimalismo incentiva.

E se todos começássemos a nos desfazer do que não usamos, como ficaria o mundo? Mesmo que as peças sejam doadas, vendidas ou recicladas, há sempre um custo. O verdadeiro ponto de equilíbrio não está apenas em destralhar, mas sobretudo em prestar atenção no momento da aquisição.

Na primeira fase do minimalismo, o destralhe é fundamental: doar o máximo possível, reciclar, vender, e só em último caso deitar fora. Mas o passo seguinte é mais profundo: questionar antes de adquirir. Caso contrário, caímos sempre no mesmo ciclo — comprar, não usar, doar/vender/deitar fora.

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O destralhe faz parte do processo, mas o essencial é aprender a viver com consciência, evitando que as coisas sem sentido voltem a ocupar espaço na nossa casa e na nossa vida.