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Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

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Seg | 06.01.20

Gravidas Fit

Vânia

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Há muito que se diz que gravidez não é doença e felizmente que não o é. É realmente um bebé que está a crescer dentro do nosso corpo, o que só por si acarreta alguns cuidados e contenção durante os 9 meses. 

Acontece que está na moda as grávidas fit, ora eu como instrutora de Yoga achei logo que estava inserida nessa categoria de forma automática.

Ao saber que estava grávida fiquei logo com um medo enorme de prejudicar o meu bebé ao dar aulas. Convenhamos, uma coisa é fazer uma aula de Yoga com as devidas adaptações, outra é dar quatro ou mais aulas de Yoga por dia sendo que a única pessoa que estava limitada era eu e não nenhum dos meus alunos.

Mesmo com medo e, obviamente, alguns cuidados e compreensão de todos os meus alunos, achei que iria dar aulas até ao final da minha gravidez. Mas ao chegar ao sétimo mês, o que mesmo assim considero um feito, percebi que tinha de parar. A barriga estava já bem grande o que me impedia de fazer a grande maioria das posturas e isso estava a começar a prejudicar a forma como dava as minhas aulas pois não conseguia demonstrar da melhor forma como os alunos deveriam entrar, permanecer e sair da postura. Como profissional percebi que os alunos tinham direito a ter um novo instrutor sem qualquer limitação para manter a qualidade das aulas.

Parei de dar aulas mas achei que, eu grávida fit, nesta altura já com 10kg a mais e bastante inchada, achava que podia continuar a praticar yoga em casa, agora totalmente adaptado a grávidas no último trimestre.

Conclusão, às 30 semanas dou entrada nas urgências com dezenas de contrações. Apesar de indolores devido a sua frequência estas contrações podiam causar um parto permaturo. Portanto, acabou-se a grávida fit. Repouso moderado, nada de ficar de pé por longos periodos nem andar durante muito tempo.

Na verdade foi um alívio sentir que não precisava, e na verdade já não podia nem conseguia, continuar com o ritmo de treinos que eu achava que o meu corpo aguentava só porque era instrura de Yoga. Deixei de sentir pressão para me manter ativa e aproveitei para descansar um corpo que já estava bastante sobrecarregado. 

Entrei em trabalho de parto às 37 semanas. A médica na consulta no dia em que completava 37 semanas disse-me, a partir de agora pode nascer e pode voltar a fazer pequenas caminhadas. Conclusão dei um pequeno passeio e a bebé nasceu no dia seguinte.

Percebi que ser uma grávida fit não é para quem quer, é para quem pode. Por ser instrutora e o meu corpo estar habituado a várias horas de exercício físico não significa que o consiga fazer carregando um bebé. Claramente puxei demais por mim, cedi a pressão, felizmente, tudo correu bem e a minha menina nasceu saudável com 3,170kg.

Realmente a mensagem que queria passar é que não somos todas obrigadas nem tão pouco capazes de ser as modernas grávidas fit, independentemente de sermos, anteriormente a gravidez, pessoas mais ou menos ativas. A gravidez trás consigo alguns cuidados e acho importante tê-los e poupar nos. Afinal o nosso corpo está a ter um enorme trabalho em construir um novo ser humano.