6 Coisas que Deixei de Fazer para Viver com Mais Leveza e Minimalismo

Foto da minha autoria
Muito mais do que ter uma casa branca, com poucos objetos decorativos, um armário com apenas 15 peças de roupa, não ter televisão ou mesa, o minimalismo para mim, neste momento da vida, está muito mais ligado à forma como vivo do que às coisas que possuo.
Continuo a ter poucas coisas — e quase sempre, quando alguém entra na minha casa, o comentário é: “Deve ser fácil de limpar”. Sim, tenho poucos móveis e objetos, não tenho tapetes e há espaço para viver. Tento manter tudo simples, e essa simplicidade reflete-se na minha vida.
1 – Deixei de passar a ferro
Esta tarefa, além de cansativa, era algo que eu detestava. Inspirada por outras pessoas, decidi fazer um teste: lavei e sequei 4 ou 5 máquinas de roupa sem passar a ferro, apenas dobrando a roupa ainda quente da máquina de secar. Pensei: “Quando voltar a vestir estas roupas, se notar que estão em mau estado, volto a passar a ferro”.
A verdade é que usei toda a roupa e nunca me lembrei que não a tinha passado. Desde então, só passo a ferro peças muito específicas, que ficam mesmo impossíveis de usar sem serem passadas — e contam-se pelos dedos de uma mão. Foi um alívio na minha rotina. A pilha de roupa que crescia no quarto desapareceu, bem como a culpa de não ter “tempo para passar”.
2 – Deixei de fazer meal prep
Passar horas na cozinha a preparar refeições para a semana inteira, sujar bancadas, tachos e loiça, era exaustivo. É verdade que facilitava os dias seguintes, mas o cansaço e a monotonia de comer comida sempre aquecida (ou pratos que já não me apeteciam naquele dia) transformaram isso num desgaste.
Hoje cozinho apenas uma vez por dia, quase sempre guiada pela intuição e pelo que temos no frigorífico. E sinto-me muito mais leve.
3 – Deixei de fazer limpezas gerais
Depois de ser mãe, percebi que é quase impossível limpar a casa toda de uma só vez — e, sinceramente, deixei de sentir esse peso. Agora faço uma limpeza em tempo real, conforme as necessidades e os momentos disponíveis.
Com uma criança em casa, sei que a casa nunca estará “perfeita” por muito tempo, então adotei uma manutenção constante, mas sem cobranças. Defini um limite de desarrumação que suporto; quando o passo, arregaço as mangas e organizo.
4 – Deixei de seguir modas
A velocidade a que tudo muda nos dias de hoje é incrível — e, para mim, insustentável. A moda tornou-se demasiado rápida, quase descartável, e percebi que seguir tendências é apenas uma corrida sem fim para o consumismo. Desde 2016 que escolhi outro caminho, mas com a mudança para a aldeia, essa escolha tornou-se ainda mais clara.
A minha roupa hoje significa conforto, praticidade e, sobretudo, conforto térmico. Não me importa se está “na moda” ou não. O que importa é que faz sentido para mim e para o meu dia a dia.
5 – Deixei de acumular produtos cosméticos
Antes de 2016, adorava maquilhagem. Maquilhava-me para tudo — até para ficar em casa — e queria sempre os produtos do momento. Aos poucos, o minimalismo trouxe-me outra consciência: eu não preciso de tanta coisa para me sentir bem.
Hoje uso apenas quatro produtos básicos: base, máscara de pestanas, pó bronzeador e lápis de sobrancelhas. E só os uso em situações sociais, como dar aulas, reuniões ou jantares. No dia a dia, ando de cara lavada — e é tão libertador!
Pergunto-me: por que sentimos a necessidade de nos esconder atrás de tantas camadas? De que estávamos a fugir?
6 – Deixei de sentir culpa por não fazer tudo
Em 2019, quando decidi parar de dar aulas de Yoga para ser mãe a tempo inteiro, comecei a carregar uma culpa silenciosa por não estar a trabalhar como antes.
Queria ser tudo ao mesmo tempo: a mãe presente que leva e vai buscar a filha à escola, que está em casa sempre que ela está doente ou cansada, que vai a todas as reuniões e actividades. Mas também queria ser a mulher independente, que trabalha fora, investe na sua formação, cuida da casa, pratica desporto, sai com as amigas e ainda encontra tempo para si.
A verdade? É impossível.
Com o tempo, fui libertando-me dessa culpa. Esta é a minha realidade — algumas escolhas foram minhas, outras simplesmente fazem parte do momento que vivo. E está tudo bem. Aprendi a aceitar que não preciso de encaixar no que o mundo espera de uma mulher. Aceitar a vida como ela é e deixar a culpa para trás foi um dos maiores actos de autocuidado que já fiz.
O minimalismo que vivo hoje vai muito além da casa arrumada, da ausência de tralha ou de um armário pequeno. Ele manifesta-se, sobretudo, na forma como escolho viver, nas decisões diárias que me trazem leveza e liberdade.
Deixar de passar a ferro, de fazer meal prep, de sentir que tenho de limpar tudo de uma só vez, de seguir modas, de acumular cosméticos e, acima de tudo, deixar a culpa de lado — tudo isto não é apenas uma questão de “fazer menos”, mas de fazer espaço para viver melhor.
No fundo, é sobre aceitar que a vida não precisa ser uma corrida. Que há paz em fazer escolhas mais simples, em ouvir as nossas necessidades reais e em dizer “não” ao que não faz sentido. Ter menos não é um sacrifício. É, pelo contrário, um convite a ser mais — mais presente, mais leve, mais feliz com o que já existe.