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Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

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Guia de consumo consciente

A Conspiração Consumista - Netflix

29.08.25 | Vânia

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Assisti ao documentário A Conspiração Consumista, da Netflix, e foi um verdadeiro murro no estômago. Tal como aconteceu quando vi The True Cost (sobre o impacto da fast fashion) e Minimalism e The Minimalists: Less is Now (sobre a vida minimalista), fiquei com a sensação de que, apesar de já saber que grandes empresas como a Amazon, Shein, Adidas e tantas outras criam estratégias para nos levar a consumir mais do que realmente precisamos, a realidade é ainda mais dura do que eu imaginava.

O documentário mostra desde o desperdício absurdo de produtos novos, que acabam simplesmente no lixo, até à grande mentira em torno da reciclagem. A verdade é que estamos a destruir o mundo — e a facilidade das compras online só tornou o consumismo ainda mais rápido, barato e sem sentido, ao ponto de nem precisarmos sair de casa para contribuir para este ciclo.

Não quero dar spoilers, mas recomendo fortemente que assistam. É essencial termos consciência do impacto que cada compra tem e do que estamos a alimentar quando optamos por estas empresas.

Este documentário fez-me refletir bastante sobre como posso continuar a melhorar a minha forma de consumir. Já há quase 10 anos que abracei um estilo de vida minimalista, mas sei que há sempre espaço para evoluir — até porque o mundo à nossa volta muda constantemente, e de forma cada vez mais acelerada.

Deixo aqui alguns conselhos práticos para reduzir o consumo e torná-lo mais consciente:

 

 

Guia de Consumo Consciente

1. Repensar o Consumo

Perguntar sempre: “Eu preciso mesmo disto?”

Priorizar qualidade em vez de quantidade.

Evitar modas passageiras e compras por impulso.


2. Reduzir Resíduos

Comprar a granel e evitar embalagens descartáveis.

Usar sacos reutilizáveis, garrafas e caixas próprias.

Reduzir e reutilizar antes de reciclar.


3. Roupas com Consciência

Evitar fast fashion: optar por segunda mão, trocas ou marcas locais/éticas.

Cuidar e reparar as roupas que já temos.

Criar um guarda-roupa cápsula.


4. Alimentação Sustentável

Consumir alimentos locais e da época.

Reduzir carne industrial e ultraprocessados.

Planear refeições para evitar desperdício.

Aproveitar restos e partes menos usadas dos alimentos.


5. Mobilidade

Optar por caminhar ou usar bicicleta em percursos curtos.

Usar transportes públicos ou partilhar boleias.

Evitar viagens aéreas desnecessárias.


6. Energia e Casa

Desligar aparelhos da tomada quando não usados.

Usar lâmpadas LED e aproveitar luz natural.

Reparar em vez de substituir.


7. Mentalidade Minimalista

Trocar coisas por experiências.

Adiar compras para perceber se realmente são necessárias.

Valorizar o “menos é mais”: menos coisas, mais espaço mental.

 

Uma boa regra é seguir os 5 R’s da sustentabilidade: Recusar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Repensar.

 

Mais do que um simples estilo de vida, o consumo consciente é um ato de responsabilidade — connosco, com os outros e com o planeta. Não se trata de perfeição, mas de escolhas diárias que, somadas, fazem diferença. Cada vez que recusamos uma compra desnecessária, prolongamos a vida útil de algo que já temos ou apoiamos uma alternativa sustentável, estamos a quebrar um pedaço deste ciclo de consumismo.

O mundo precisa de mudanças urgentes, e elas começam dentro das nossas casas, nas nossas rotinas e nas nossas decisões. Se cada um de nós der um passo, por menor que pareça, estaremos a caminhar juntos para um futuro mais equilibrado, justo e habitável.

 

 

Santosha: A Coragem de Estar em Paz com o que Já É

06.08.25 | Vânia

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Vivemos rodeados de promessas.

Prometem-nos que seremos felizes se tivermos isto, se comprarmos aquilo, se tivermos o corpo “fit”, a casa minimalista, se acordarmos às 4h da manhã para seguir a rotina perfeita, se meditarmos, fizermos Yoga, ginásio, tomarmos suplementos, comermos “clean” e se — por milagre — os nossos filhos nunca desarrumarem a casa.

Mostram-nos constantemente que falta qualquer coisa. Que estamos sempre a um passo de alcançar algo. Algo que ainda não temos, algo que ainda não comprámos — mas que, quando finalmente tivermos tudo isso, aí sim, seremos felizes. A vida dos nossos sonhos começará.

Mas sejamos realistas.

Grande parte das coisas que nos dizem que precisamos para sermos felizes… não conseguimos adquirir.
Grande parte das práticas e rotinas que nos dizem ser essenciais para a saúde e bem-estar… não cabem no nosso dia.

A vida de uma pessoa comum não começa às 4h da manhã com uma corrida, journaling e skincare ao nascer do sol.
A vida real começa com o despertador, despachar os filhos, deixá-los na escola, trabalhar oito horas (ou mais), voltar cansada, fazer o que tem de ser feito: jantar, banhos, mochilas, lancheiras, roupa… e cama.

Há variações, claro. Mas para a maioria de nós, os dias são feitos de rotinas exigentes, com pouco espaço para aquilo que “deveríamos” estar a fazer.

Foi nesse lugar — entre o cansaço e a exigência, entre o ideal e o possível — que dei por mim a precisar, com urgência, de praticar um princípio filosófico do Yoga.
Um princípio que conheci quando me tornei professora, mas que só agora compreendi de verdade:

 

Santosha.

Na filosofia do Yoga, existe uma palavra que aponta noutra direção: Santosha.
É um dos niyamas, os princípios de conduta pessoal descritos nos Yoga Sutras de Patañjali. Os Yoga Sutras são os textos mais importantes da filosofia do Yoga, pensasse ter sido scritos há mais de dois mil anos e explicam o caminho do Yoga como prática de autoconhecimento e libertação interior. Santosha, pode ser traduzido como contentamento — mas não aquele que vem quando tudo corre bem. É um contentamento mais profundo, silencioso e presente. Um estado de aceitação da realidade tal como ela é.

 

Santosha não é mero conformismo, nem uma aceitação passiva da realidade, muito menos desistência dos sonhos.
Santosha é a capacidade de encontrar paz nas coisas tal como elas são, mesmo quando não são exatamente como gostaríamos — e, sejamos honestos, muitas vezes não são. É a arte de viver bem com o que há, de estar em paz com a realidade tal como ela se apresenta. É uma forma de sabedoria: aceitar a vida como ela é, sem resistência, mas com presença e coração aberto.

Não significa que não possamos querer mudanças. Mas significa que não vamos condicionar a nossa paz interior à chegada de algo exterior.

 

E se o contentamento não vier?

Santosha não é um botão. É uma lembrança.
Uma prática.
Um convite diário:
"E se eu parasse de resistir a este momento?"
"E se eu permitisse que a paz me encontrasse agora, e não só depois de algo ou aguma coisa?"

Haverá dias em que será mais fácil. Outros em que parecerá impossível. Tudo bem. O Yoga ensina-nos também a praticar com compaixão por nós mesmos, sem exigência.

Santosha não é uma ideia romântica. É revolucionária. Num mundo que nos diz que nunca é suficiente, escolher estar em paz com o que já é, é um ato de coragem. De liberdade. De verdade.