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Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

O que precisas de saber antes de trocares o litoral pelo interior

30.07.25 | Vânia

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Mudar da cidade para o interior, para um aldeia ou vila, pode parecer, à primeira vista, uma promessa de vida simples, natureza abundante e silêncio restaurador. E é, de facto, tudo isso. Mas há também realidades que muitas vezes ficam escondidas por detrás da ideia romântica da “vida no campo” — e que só se compreendem verdadeiramente quando se está cá dentro.

Se estás a considerar essa mudança, deixo-te aqui alguns pontos importantes para refletires com calma e realismo:

 

1. Acesso a cuidados de saúde especializado: escasso

Quando falamos de especialidades médicas — ginecologia, psiquiatria, dermatologia, entre outras — a situação complica-se. Muitas consultas só estão disponíveis através do setor privado e, mesmo assim, a oferta é reduzida: um médico que atende apenas uma vez por semana, horários limitados, e listas de espera mesmo em clínicas privadas.
Se tens uma condição de saúde crónica ou precisas de acompanhamento regular, este é um ponto a considerar seriamente. 

contudo o atendimento em Centro de Saúde, seja médico de famili, consulta do dia ou atendimento em urgencia hospitalar é agradavelmente rápido e eficaz devido ao menor densidade populacional, pelo menos na minha zona.

 

2. Mercado de trabalho: poucas oportunidades e muita repetição

O leque de oportunidades de emprego é muito mais restrito do que na cidade. No interior, os setores dominantes são:

Hotelaria (geralmente sazonal)

Limpezas

Lares de idosos (como auxiliar)

Trabalho agrícola

Se procuras algo fora desse espectro — especialmente com componente criativa ou tecnológica — é provável que encontres resistência ou pura inexistência de vagas.

 

3. Empreender no interior é diferente de empreender na cidade

Trazer um negócio inovador para o interior pode parecer promissor — e ao início, é possível que desperte alguma curiosidade. Mas a novidade esmorece rapidamente, e os hábitos antigos prevalecem. A mentalidade local tende a valorizar o que é tradicional, familiar e já conhecido. Iniciativas que fogem à norma podem ser vistas com desconfiança ou simplesmente ignoradas. Para quem tem espírito empreendedor, isso pode ser frustrante.

 

4. Desigualdade de género ainda muito presente

É importante falar sobre isto: o machismo ainda está muito enraizado em muitas aldeias e vilas do interior. Não é raro ver mulheres confinadas às tarefas domésticas e homens a ocupar os espaços públicos, como os cafés. As expectativas sociais são diferentes consoante o género, e isso pode impactar diretamente a forma como uma mulher é vista — seja como profissional, mãe, esposa ou cidadã independente.

 

5. Passas muito tempo em casa — o clima condiciona bastante a vida no exterior

Pode parecer estranho, mas viver no meio da natureza não significa estar sempre ao ar livre. Pelo menos aqui no Alentejo, o clima extremo condiciona bastante a rotina fora de casa:
🌡️ No verão, as temperaturas facilmente ultrapassam os 40 °C, tornando insuportável qualquer atividade no exterior durante grande parte do dia.
❄️ No inverno, há temperaturas negativas, geada e muita humidade.

Resultado? Grande parte do tempo é passada dentro de casa, o que pode ser um desafio para quem vem habituado à vida de rua da cidade.

 

6. Ter carro não é luxo — é necessidade

No interior, os transportes públicos são escassos e pouco funcionais. Há poucos horários, poucos percursos e, por vezes, nenhum transporte direto para onde se quer ir. Para ires às cidades mais próximas, ao centro de saúde, a uma entrevista de emprego ou mesmo às compras, ter carro torna-se praticamente indispensável.

Se estás habituado(a) a andar a pé, de metro ou autocarro na cidade, prepara-te: a autonomia no interior depende, em grande parte, de ter viatura própria.

 

🌿 Então, vale a pena mudar para o interior?


Depende.
Depende do que procuras, do que estás disposta a abdicar, e do que consegues construir com o que tens. A vida no interior pode ser rica em simplicidade, tempo e conexão com a terra. Mas é também uma vida onde muitas vezes te sentes a remar contra a corrente — seja para ter cuidados de saúde, um trabalho digno, ou simplesmente autonomia enquanto mulher.

Antes de mudares, olha bem para dentro e para fora:
Consegues lidar com o isolamento?
Aceitas viver com menos escolhas?
Tens uma rede de apoio?
Consegues encontrar propósito fora do trabalho tradicional?

A resposta pode ser “sim”. Ou pode ser “ainda não”.
E ambas são válidas.

 

Do Caos à Calma: A Minha Chegada ao Alentejo

29.07.25 | Vânia

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foto da minha autoria

Em 2020, há poucas semanas tínhamos deixado os arredores de Lisboa para viver numa vila no interior do Alentejo. A minha filha, com um ano e meio, precisava de tomar a vacina dos 18 meses. Já tínhamos feito a inscrição no centro de saúde da cidade mais próxima e, após o almoço, saímos rumo à consulta.

O meu marido, nascido nesta vila, ia tranquilo. Eu, vinda de 13 anos a viver e trabalhar na zona de Lisboa, levava a pressa cravada no corpo. Fazia contas de cabeça para garantir que chegaríamos a tempo.

Pelo caminho, ele quis parar numa loja para ver algo que ainda faltava para a casa, ainda em obras. Senti logo o alarme interior: vamos chegar atrasados! Mas parámos. Fomos à loja com calma e seguimos viagem.

Mais 5 minutos chegámos ao centro de saúde — sem trânsito, sem filas, sem stress. Estacionámos à porta. Entrámos. O balcão estava vazio. Disse que vinha para a vacina e indicaram-me a sala. Ao entrar, percebi que não havia mais ninguém. Só eu, o meu marido e a nossa bebé. Olhei para o relógio: estávamos adiantados.

Cinco minutos depois, já estávamos de volta ao carro. A consulta tinha corrido bem, tudo simples, rápido, leve. E ali, naquele momento, caiu-me uma ficha: o que na cidade seria uma maratona — trânsito, estacionamento, esperas em filas — aqui acontecia com suavidade e tempo de sobra.

Foi aí que percebi que tinha encontrado aquilo que procurava, mesmo sem estar ainda preparada para o receber: uma vida onde o tempo não nos escapa, mas se estende. Um tempo que permite viver, chegar ao destino sem correr, ser atendida sem esperar.

Naquele dia, respirei fundo. Agradeci por esta nova simplicidade. E comecei, aos poucos, a confiar num ritmo mais brando — o ritmo de quem vive onde a vida tem espaço para acontecer sem pressa.

Minimalismo sem Performance: O Regresso ao Essencial

28.07.25 | Vânia

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Vivemos num mundo de performance — e, confesso, fico cansada de tanta performance. Até o minimalismo, que deveria ser um refúgio, acabou por se transformar numa nova forma de pressão. Como ter a casa mais organizada, viver com apenas 10 peças de roupa, reduzir os objetos ao mínimo... Mas não será isso o oposto do que o minimalismo realmente pretende? Simplicidade e praticidade.

Originalmente, o minimalismo propõe um modo de viver mais consciente, onde o foco está na qualidade, no que traz significado e bem-estar, e não na quantidade ou na aparência de perfeição. É uma prática que busca simplificar a vida para criar espaço — físico e mental — para o que verdadeiramente importa: relacionamentos, saúde, tempo para si mesmo e para o presente.

Fazer listas, impor números, dizer que precisamos de arrumar a casa de uma determinada maneira… isso para mim não é exatamente o que o minimalismo propões, pelo menos não do meu ponto de vista atual. 

No entanto, hoje em dia, com a internet e as redes sociais, esse conceito tem sido frequentemente distorcido. O minimalismo passou a ser mais um padrão de performance do que uma escolha libertadora. Somos bombardeados por imagens de casas imaculadas, guarda-roupas cápsula com poucas peças perfeitamente combinadas, rotinas ultraorganizadas e listas intermináveis de tarefas para “simplificar” a vida.

Essa exposição constante gera uma pressão enorme para estarmos sempre melhor, mais produtivos, mais organizados — um ciclo de comparação que cansa e desmotiva. Em vez de aliviar, o minimalismo, como é apresentado online, pode virar mais um fardo, um padrão a cumprir que limita a liberdade pessoal.

No fundo, o minimalismo deveria ser um convite para vivermos menos a partir do que temos que mostrar e mais a partir do que sentimos e precisamos de verdade. É sobre encontrar equilíbrio e paz, não sobre perseguir ideais inalcançáveis.

 

O que é o minimalismo para mim em 2025: 

Aprendi a viver com menos opções de escolha

Vivo abaixo do meu padrão de vida

Trabalho menos horas, ganho menos, mas tenho mais tempo para a familia

Priorizo o conforto e praticidade no meu guarda roupa 

Tenho dias sem planos

Aproveito a luz natural

Não vejo constantemente noticias

Faço atividade fisica de forma simples e incluo movimento no meu dia a dia como yoga, caminhada, passear o cão, cuidar da horta.

Reduzi o uso de palavras negativas

Cozinho com poucos ingridientes e confeções simples e rápidas 

Saí das redes sociais

Em 2025, o meu minimalismo não é feito de regras rígidas, nem de números perfeitos. É um caminho pessoal, silencioso, que se constrói nas pequenas escolhas do dia a dia — viver com menos ruído, menos exigência, mais presença. Não se trata de mostrar uma vida impecável, mas de viver uma vida com significado, com espaço para o que realmente importa. No fundo, minimalismo, para mim, é aprender a estar em paz com o suficiente.

 

Downshifting: O Dia em que Escolhi Desacelera

26.07.25 | Vânia

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Downshifting é um termo em inglês que significa, literalmente, "reduzir a velocidade" — como quando se muda para uma mudança mais baixa ao conduzir. Aplicado à vida, significa escolher um ritmo mais lento e mais consciente, afastando-se de estilos de vida acelerados, consumistas ou excessivamente exigentes.

 

É uma decisão intencional de trabalhar menos, consumir menos e viver mais. Não se trata de desistir de ambições, mas de redefinir o que é essencial e valioso para cada pessoa.

 

Durante muitos anos, vivi no modo “seguir em frente”. Trabalhava numa empresa de telecomunicações, com horários definidos, prazos apertados e uma constante sensação de estar sempre a correr atrás de alguma coisa — mas sem saber bem do quê.

 

Ao fim de dois anos, percebi que aquela vida não me pertencia. Sentia-me esvaziada, desconectada de mim. Pedi a demissão. Foi o primeiro grande passo. O primeiro “não” ao ritmo imposto e o primeiro “sim” a uma vida mais alinhada com o que eu sou.

 

Decidi então mergulhar no que me fazia sentido: tirei um curso de Yoga, comecei a dar aulas e a encontrar, na partilha com os outros, uma forma mais serena de estar no mundo.

 

Mas a grande viragem veio com a maternidade.

 

Com o nascimento da minha filha, nasceu também uma nova consciência: a de que a presença tem mais valor do que a produtividade. Deixei de dar aulas durante um tempo e, pouco depois, mudámo-nos para uma aldeia no Alentejo.


Troquei o ruído da cidade pelo silêncio dos campos, o tempo contado pelo tempo vivido.

 

Hoje dou apenas algumas aulas de Yoga ao final do dia, e tenho os dias livres para estar com a minha filha, para cuidar da casa, da horta, de mim. Vivo com menos, sim — mas sinto que tenho mais: mais tempo, mais leveza, mais sentido.

 

O que deixei para trás

Deixei para trás a pressão dos horários fixos, a ideia de sucesso ligada ao cargo ou ao rendimento, os dias que passavam sem que eu me desse conta.

Desfiz-me de muita coisa — por dentro e por fora.
Reduzi pertences, obrigações, distrações.
Abracei o essencial.

 

O que encontrei

Encontrei espaço.
Encontrei silêncio.
Encontrei-me a mim.

Downshifting, para mim, não foi só uma escolha profissional — foi uma mudança de ritmo, de valores, de foco. Foi um regresso ao que é simples, mas verdadeiro. Uma forma de dizer: "não preciso de tudo — preciso de paz."

 

Se estás a sentir o peso do “demais”…

Sábias mudanças começam muitas vezes por um simples gesto: dizer não ao que nos esgota e sim ao que nos nutre.

Downshifting não é desistir da vida — é escolher uma vida que não te peça para desistires de ti.

 

 

Viver Sem Algoritmos: A Busca pela Autenticidade

25.07.25 | Vânia

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Durante muitos anos, estive longe das redes sociais.
Havia algo nelas que me incomodava profundamente,
algo que me fazia sentir desconforto,
como se um pedaço de mim fosse arrancado sem querer.
O mundo virtual, com as suas exigências,
não fazia sentido no meu ritmo calmo e introspectivo.

 

Quando me tornei professora de Yoga,
achei que deveria fazer diferente.
O trabalho precisava ser mostrado,
o mundo precisava saber o que eu tinha para oferecer.
E assim, com um passo hesitante, entrei.
Era quase uma obrigação.

 

Rapidamente, percebi que não bastava ser eu mesma.
O algoritmo, esse mestre invisível, exigia mais.
E foi assim que passei a tentar agradar,
tentando pertencer a um padrão,
a uma estética imposta,
como se a minha autenticidade tivesse de ceder
ao que os outros esperavam ver.

 

Como uma adolescente,
tentava encaixar-me onde não cabia,
onde a perfeição era exigida
e onde tudo parecia moldado
para a aprovação de um sistema sem rosto.
Na busca por algo que se chamava “sucesso”,
pensava que a exposição era a chave —
quanto mais mostrasse, mais conquistava.

 

Mas, ao longo do caminho, percebi algo.
Essa exposição não trazia alunas,
não trazia oportunidades.
Nada de verdadeiramente novo.
E o que parecia tão importante,
a constante aprovação, a constante visibilidade
não fazia mais sentido.
O boca a boca, aquele que vem do coração,
a verdadeira recomendação,
era o que importava.

 

Mesmo assim, continuei,
como se estivesse presa a uma roda que não parava.
Como se tivesse de mostrar sempre algo para existir,
como se, de alguma forma, precisasse
que os outros soubessem tudo o que eu fazia.
Estava dentro da máquina,
com a sensação de que algo ali não estava bem,
mas sentindo que não podia sair.
Até que o cansaço me encontre,
até o medo do excesso de exposição me paralisar.

 

Para onde estamos a ir?
De que forma estamos a ser enganados
ao acreditar que precisamos mostrar tudo o que fazemos?
Para quem? Realmente, para quem?
Na minha infância, a minha mãe costumava dizer:
"Quanto menos souberem do teu mundo, mais livre será a tua alma."
A nossa vida era algo só nosso,
algo belo, devidido com aqueles que nós escolhiamos.
Por que agora temos a necessidade de expô-la?
Por que mostrar tanto da realidade e do que não é real?
Isto só nos faz mais um na multidão,
a fazer o mesmo, a mostrar o mesmo,
o suposto perfeito, o ideal...

 

Cansaço.
Cansaço de viver para agradar um algoritmo.
Cansaço de ser apenas mais uma cópia,
mais uma imagem congelada,
mais um pedaço de perfeição fabricada.
Quero viver no mundo real.
Quero viver no ritmo da minha alma,
sem pressa, sem máscaras,
sem filtros, sem cópias,
sem perfeito.

 

Não precisamos de mostrar tudo,
não precisamos de ser todos iguais.
O que importa é o que fazemos com verdade,
com as mãos e com o coração.
A beleza está na nossa essência,
não na validação do mundo exterior.
E, talvez, a maior liberdade seja
não seguir a corrente,
mas encontrar o nosso próprio caminho,
quieto, real e inteiro.

6 Coisas que Deixei de Fazer para Viver com Mais Leveza e Minimalismo

24.07.25 | Vânia

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Foto da minha autoria

Muito mais do que ter uma casa branca, com poucos objetos decorativos, um armário com apenas 15 peças de roupa, não ter televisão ou mesa, o minimalismo para mim, neste momento da vida, está muito mais ligado à forma como vivo do que às coisas que possuo.

Continuo a ter poucas coisas — e quase sempre, quando alguém entra na minha casa, o comentário é: “Deve ser fácil de limpar”. Sim, tenho poucos móveis e objetos, não tenho tapetes e há espaço para viver. Tento manter tudo simples, e essa simplicidade reflete-se na minha vida.

 

1 – Deixei de passar a ferro

Esta tarefa, além de cansativa, era algo que eu detestava. Inspirada por outras pessoas, decidi fazer um teste: lavei e sequei 4 ou 5 máquinas de roupa sem passar a ferro, apenas dobrando a roupa ainda quente da máquina de secar. Pensei: “Quando voltar a vestir estas roupas, se notar que estão em mau estado, volto a passar a ferro”.
A verdade é que usei toda a roupa e nunca me lembrei que não a tinha passado. Desde então, só passo a ferro peças muito específicas, que ficam mesmo impossíveis de usar sem serem passadas — e contam-se pelos dedos de uma mão. Foi um alívio na minha rotina. A pilha de roupa que crescia no quarto desapareceu, bem como a culpa de não ter “tempo para passar”.

 

2 – Deixei de fazer meal prep

Passar horas na cozinha a preparar refeições para a semana inteira, sujar bancadas, tachos e loiça, era exaustivo. É verdade que facilitava os dias seguintes, mas o cansaço e a monotonia de comer comida sempre aquecida (ou pratos que já não me apeteciam naquele dia) transformaram isso num desgaste.
Hoje cozinho apenas uma vez por dia, quase sempre guiada pela intuição e pelo que temos no frigorífico. E sinto-me muito mais leve.

 

3 – Deixei de fazer limpezas gerais

Depois de ser mãe, percebi que é quase impossível limpar a casa toda de uma só vez — e, sinceramente, deixei de sentir esse peso. Agora faço uma limpeza em tempo real, conforme as necessidades e os momentos disponíveis.
Com uma criança em casa, sei que a casa nunca estará “perfeita” por muito tempo, então adotei uma manutenção constante, mas sem cobranças. Defini um limite de desarrumação que suporto; quando o passo, arregaço as mangas e organizo.

 

4 – Deixei de seguir modas

A velocidade a que tudo muda nos dias de hoje é incrível — e, para mim, insustentável. A moda tornou-se demasiado rápida, quase descartável, e percebi que seguir tendências é apenas uma corrida sem fim para o consumismo. Desde 2016 que escolhi outro caminho, mas com a mudança para a aldeia, essa escolha tornou-se ainda mais clara.
A minha roupa hoje significa conforto, praticidade e, sobretudo, conforto térmico. Não me importa se está “na moda” ou não. O que importa é que faz sentido para mim e para o meu dia a dia.

 

5 – Deixei de acumular produtos cosméticos

Antes de 2016, adorava maquilhagem. Maquilhava-me para tudo — até para ficar em casa — e queria sempre os produtos do momento. Aos poucos, o minimalismo trouxe-me outra consciência: eu não preciso de tanta coisa para me sentir bem.
Hoje uso apenas quatro produtos básicos: base, máscara de pestanas, pó bronzeador e lápis de sobrancelhas. E só os uso em situações sociais, como dar aulas, reuniões ou jantares. No dia a dia, ando de cara lavada — e é tão libertador!
Pergunto-me: por que sentimos a necessidade de nos esconder atrás de tantas camadas? De que estávamos a fugir?

 

6 – Deixei de sentir culpa por não fazer tudo

Em 2019, quando decidi parar de dar aulas de Yoga para ser mãe a tempo inteiro, comecei a carregar uma culpa silenciosa por não estar a trabalhar como antes.
Queria ser tudo ao mesmo tempo: a mãe presente que leva e vai buscar a filha à escola, que está em casa sempre que ela está doente ou cansada, que vai a todas as reuniões e actividades. Mas também queria ser a mulher independente, que trabalha fora, investe na sua formação, cuida da casa, pratica desporto, sai com as amigas e ainda encontra tempo para si.
A verdade? É impossível.
Com o tempo, fui libertando-me dessa culpa. Esta é a minha realidade — algumas escolhas foram minhas, outras simplesmente fazem parte do momento que vivo. E está tudo bem. Aprendi a aceitar que não preciso de encaixar no que o mundo espera de uma mulher. Aceitar a vida como ela é e deixar a culpa para trás foi um dos maiores actos de autocuidado que já fiz.

 

O minimalismo que vivo hoje vai muito além da casa arrumada, da ausência de tralha ou de um armário pequeno. Ele manifesta-se, sobretudo, na forma como escolho viver, nas decisões diárias que me trazem leveza e liberdade.
Deixar de passar a ferro, de fazer meal prep, de sentir que tenho de limpar tudo de uma só vez, de seguir modas, de acumular cosméticos e, acima de tudo, deixar a culpa de lado — tudo isto não é apenas uma questão de “fazer menos”, mas de fazer espaço para viver melhor.
No fundo, é sobre aceitar que a vida não precisa ser uma corrida. Que há paz em fazer escolhas mais simples, em ouvir as nossas necessidades reais e em dizer “não” ao que não faz sentido. Ter menos não é um sacrifício. É, pelo contrário, um convite a ser mais — mais presente, mais leve, mais feliz com o que já existe.

Cinco Anos na Vila: Lições de Simplicidade, Paciência e Conexão

4 Coisas que aprendi na Aldeia

23.07.25 | Vânia

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Foto da minha autoria

 

A minha saída da cidade foi, acima de tudo, uma fuga. Fugia do tempo que corria depressa demais, da constante exigência de planeamento, da pressão do relógio. Fugia de uma sensação de prisão que se intensificou com a pandemia.

Chegar à aldeia foi como despertar para um sonho. O silêncio, o ritmo desacelerado, o sentimento de pertença. Os “bons dias” e “boas tardes” trocados com cada pessoa que passa, os sons da natureza a preencherem o espaço. O tempo continua a passar, mas aqui... parece abrandar. 

Nestes cinco anos, fui aprendendo valiosas lições. Cada uma delas ajudaram-me a construir uma vida mais leve, mais calma e com muito mais sentido.

 

1. Redefini o meu guarda-roupa: menos moda, mais simplicidade e autenticidade

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Foto da minha autoria

 

Aqui, o inverno e o verão são sentidos com intensidade. Acordamos com temperaturas negativas no inverno e enfrentamos mais de 40 graus no verão.

 

Pelas temperaturas e pelo tipo de trabalhos, aqui na aldeia — e até nas pequenas cidades vizinhas — o estilo é simples e prático. As roupas deixam de ser uma afirmação de estilo e de uma necessidade constante de seguir a moda, que corre rápido demais. Em vez disso, tornam-se aliadas do quotidiano, focando-se no conforto e na funcionalidade.

 

Com o tempo, fui ajustando o meu guarda-roupa. Hoje, visto-me de forma mais confortável, sem as pressões externas de estar sempre na vanguarda da moda. Escolho o que me faz sentir bem e à vontade. Embora não rejeite a moda completamente quando preciso de comprar roupa dou prioridade à qualidade, durabilidade e tecidos naturais. Vestir-me para agradar a mim mesma é um ato libertador. Sinto-me mais autêntica e em harmonia comigo mesma.

 

 

2. Ter menos opções é uma bênção disfarçada

Uma das grandes surpresas destes anos foi perceber o quanto ter menos escolhas pode ser libertador. Aqui na aldeia, nada nos falta — temos o essencial. Há mercearias, cafés, restaurantes, padarias e supermercados na cidade mais próxima, sim, mas com menos variedade do que nas grandes cidades.


E isso, está longe de ser um problema, tornou-se uma bênção. A redução de opções simplifica o dia a dia. Menos tempo a decidir, menos energia mental desperdiçada. O foco volta-se para o que realmente importa.


Percebi que não preciso de vinte marcas diferentes, nem de mil alternativas. Preciso apenas do suficiente — e isso, aqui, existe.

 

 

3.Redescobrir os sabores de antigamente é lembrar que a simplicidade tem sabor, história e sabedoria.

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Foto da minha autoria

 

Comer como antigamente revelou-se para mim uma descoberta surpreendentemente simples, equilibrada e saudável. Não precisamos de buscar fórmulas mágicas para nos alimentarmos bem; é natural sabermos como comer — de forma intuitiva, respeitando o que o corpo pede e o que a terra oferece.

 

Hoje, somos bombardeados com uma quantidade imensa de informação sobre alimentação. A certa altura, o que deveria ser um gesto simples e natural tornou-se confuso, até angustiante. Já tentei adaptar-me a vários modelos — vegetariana, flexível, sem glúten... e, com o tempo, percebi que estava exausta. Cansada de complicar algo que, no passado, era vivido com leveza e sabedoria. É verdade que havia escassez, mas a alimentação era mais simples, mais natural, e respeitava aquilo que a terra oferecia.

 

Foi aqui, na aldeia, que reencontrei essa simplicidade. O contato com a terra, com as estações e com os sabores antigos despertou em mim uma nova escuta. Aprendi a confiar mais na minha intuição alimentar e a compreender que o equilíbrio não reside em restrições, mas sim numa relação harmoniosa com o que a terra nos dá, no tempo certo.

 

Aqui, os pratos ainda respeitam a sazonalidade, o que intensifica o sabor de qualquer refeição. Esperar pela época certa é como aguardar o momento exato em que a natureza decide oferecer o seu melhor — um gesto de paciência que é também um gesto de amor. Saborear uma sopa de tomate no verão, migas de espargos na primavera ou um a sopa de abóbora no outono é um prazer genuíno. Mais do que reaprender a gostar desses pratos, foi uma descoberta maravilhosa aprender a cozinhá-los com respeito pela sua história. Muitas vezes, durante uma conversa casual com uma vizinha, pergunto, com curiosidade genuína: "Como se fazia este prato antigamente?" E ali, no meio da conversa, vou guardando mentalmente os pequenos segredos, os truques de quem sabe, para depois os pôr em prática, com o coração cheio.

 

Hoje, cozinho de forma mais simples e verdadeira. Com menos regras, mais presença. E percebo que, no fundo, comer bem é menos sobre seguir planos e mais sobre recordar aquilo que sempre soubemos. Comer como os nossos avós: com calma, com gratidão — e com a tranquilidade de quem já não vive na escassez, mas ainda guarda o respeito por aquilo que tem.

 

 

4.Respeitar os ritmos da terra e os ritmos da alma

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Foto da minha autoria

 

Na cidade, as estações do ano sentem-se sobretudo pela mudança de temperatura. Mas aqui, na aldeia, no meio da natureza, os ciclos do tempo revelam-se de forma muito mais subtil e profunda. São os cheiros que mudam no ar, as árvores que trocam de pele, as cores dos dias e dos campos que se transformam lentamente, como se a terra respirasse de outra forma a cada estação.

 

Viver em contacto com estes ciclos permitiu-me perceber que também nós os temos. Que somos profundamente influenciados pelas estações do ano, mesmo sem dar por isso. E que viver em equilíbrio com elas — escutando o que cada uma oferece e o que o nosso corpo pede em cada transição — é uma forma de respeito, por nós e pela natureza.

 

Uma manta quente, o lume aceso e um chá numa tarde chuvosa de inverno. Uma caminhada pelo campo numa manhã fresca de primavera. Uma janela aberta numa manhã quente de verão. São gestos simples, mas que carregam harmonia. Quando respeitamos o ritmo da natureza à nossa volta, torna-se quase impossível não querer respeitar também o nosso próprio ritmo interior.

 

Hoje, percebo que não foi apenas uma fuga — foi um reencontro. Com a minha essência, com a natureza, com o tempo vivido e não apenas contado. Este caminho pela vida na aldeia transformou-me. E é sobre essas pequenas (grandes) descobertas que partilho contigo..

Minimalismo em 2016 vs. Minimalismo em 2025: O Que Mudou em Mim

22.07.25 | Vânia

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Quando criei este blog em 2016, o minimalismo entrou na minha vida como uma tábua de salvação. Naquele tempo, minimalismo significava reduzir — o número de peças de roupa, os objectos nas gavetas, a decoração da casa. Lembro-me de contar quantos pares de sapatos tinha, de tentar manter as dobras das camisolas num padrão específico, de tirar cor das paredes e dos móveis até que tudo ficasse branco. As amizades? Só as "importantes". No Natal, não havia prendas para ninguém. Aderi à maquilhagem minimalista, aos produtos de limpeza ecológicos, aos métodos de organização da moda. E, durante um tempo, isso fez sentido.

 

Tudo isto ajudou-me a focar, a centrar-me. Ajudou-me a viver de forma diferente, a baixar o meu padrão de vida e a perceber que era mais feliz assim. 

 

Hoje, passados nove anos, o meu olhar sobre o minimalismo mudou — e mudou comigo.

 

Já não se trata de quantas peças de roupa tenho, tratasse de simplicidade, conforto, praticidade para o clima e para o meu estilo de vida. As gavetas continuam arrumadas, mas de forma funcional, sem dobras mirabolantes que ninguém consegue manter com uma rotina cheia.

 

A minha casa já não é toda branca — e ainda bem. Descobri que cores também acolhem, aquecem, inspiram. Descobri que o silêncio não está nas paredes vazias, mas na calma interior que trago para dentro delas.

 

As amizades importantes continuam cá. E, com o tempo, aprendi a não deixar entrar quem não soma, sem precisar rotular tudo como “tóxico”. Hoje, não preciso seguir tendências de beleza limpa, nem métodos ultra-organizados — porque o que importa é que seja funcional, que seja real, que seja eu.

 

Ser minimalista em 2025 é simplificar o que me ocupa, e não só o que me rodeia. É cozinhar com simplicidade, alimentar-me de forma prática e nutritiva, gerir o tempo de forma leve e consciente. É sair das redes sociais e sair, também, desse ruído que nos faz achar que deveríamos estar a fazer mais, a ser mais, a ter mais.

 

Minimalismo, para mim, hoje, é fazer o que realmente precisa ser feito — e não o que acho que deveria ser feito. É priorizar-me a mim e a educação da minha filha, estar presente. É ter a casa cheia, quase sempre desarrumada, mas com dias tranquilos.

 

É fazer menos.
É cuidar mais.
De mim.
Dos meus.
Da vida real.

Redefinir o Estilo Depois da Maternidade: Um Guarda Roupa Cápsula em Evolução

21.07.25 | Vânia

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No último trimestre da minha gravidez, alcancei o meu Guarda-Roupa Cápsula (GRC) mais minimalista de sempre. Como podes ler no post "Guarda-Roupa Cápsula na Gravidez: o mais minimalista de sempre!", foi uma fase incrivelmente prática e leve.

 

Tinha apenas 15 peças, 2 pares de sapatos, 2 malas, algumas calças, blusas e um vestido. Era simples, fácil de visualizar e arrumar. Escolher o que vestir tornava-se rápido e sem esforço, porque tudo combinava entre si. Foi, sem dúvida, a minha melhor experiência com o GRC.

 

Mas depois do parto… tudo mudou.

 

Apesar da intenção de manter o minimalismo, a confusão instalou-se no meu armário — e, sejamos honestas, em toda a minha vida. Ter um bebé é isso: um recomeço, uma desorganização temporária até que uma nova normalidade se construa.

 

No meu roupeiro, roupas de grávida (agora um pouco largas) misturavam-se com roupas de “antes” que ainda não me serviam. As primeiras não me favoreciam, as segundas deixavam-me desconfortável. A solução durante muitos meses foi usar as peças de grávida que ainda me assentavam bem e roupa de Yoga — prática, elástica e adaptável ao novo estilo de vida com um bebé nos braços.

 

Este improviso durou cerca de um ano. Quando o meu corpo começou finalmente a reencontrar alguma forma familiar e as roupas antigas voltaram a servir, outra grande mudança aconteceu: mudei-me para uma aldeia no interior do Alentejo.

 

O clima aqui é muito mais intenso — invernos frios, verões escaldantes — e o estilo de vida, bem mais simples e casual. Percebi rapidamente que o meu guarda-roupa urbano e “pré-bebé” já não fazia sentido. Na verdade, já nem gostava da maior parte daquelas peças. Pareciam pertencer a outra pessoa — e talvez pertencessem mesmo. Eu já era outra: com um novo corpo, uma nova rotina e uma nova visão da vida.

 

Claro que não era viável (nem ecológico, nem minimalista) deitar tudo fora e começar do zero. A transição foi feita com calma, ao longo dos anos. A cada estação, doava peças que nunca voltaram a servir, já não faziam sentido com o novo estilo de vida ou simplesmente já não me representavam. Até os sapatos tiveram de ir: o meu pé cresceu um número após a gravidez — sim, isso pode mesmo acontecer!

 

A minha mãe, com a sua atenção discreta e generosa, foi notando essa mudança e ajudando como podia. Aos poucos, foi-me oferecendo algumas peças novas, mais ajustadas ao meu corpo e estilo de vida atual. Como mãe a tempo inteiro, eu não tinha muito tempo nem energia para cuidar disso sozinha.

 

Durante cinco anos, o meu guarda-roupa esteve num verdadeiro caos — uma fase de transição longa, confusa e até um pouco frustrante. Só no último ano consegui, pouco a pouco e sem pressão, regressar ao meu GRC.

 

O que mudou:

O meu estilo tornou-se muito mais simples e casual.

Prefiro roupas mais folgadas e confortáveis — o conforto passou a ser o primeiro critério.

Adotei uma paleta de cores mais neutra, que me transmite calma e clareza.

Deixei os saltos altos de lado — já não combinam com a minha vida nem com os meus pés.

Passei a usar frequentemente, no dia a dia, roupas desportivas e extremamente confortáveis.

Dou preferência a tecidos naturais como o linho e o algodão, que respeitam o corpo e a pele.

Troquei as malas por uma mochila prática, que me acompanha em todos os ritmos.

Aprendi a escolher melhor as roupas de inverno, garantindo que aquecem de verdade e são funcionais.

 

O que aprendi:

 O minimalismo não é apenas sobre o número de peças mas mais sobre ter roupas que condizem verdadeiramente com quem somos.

É totalmente possível mudar de estilo — e simplesmente já não gostar de nada do que usávamos antes.

A transição de guarda-roupa pode demorar anos, e está tudo bem.

Mesmo sendo minimalista por essência, há fases da vida em que o armário reflete o caos interior — e isso também faz parte do processo.

Mudar por fora, às vezes, acompanha — ou até revela — a mudança por dentro.

 

Hoje, continuo a valorizar o essencial — mas agora com muito mais consciência de quem sou… e de quem já não sou.

 

Sobre mim - Redescobrir o essencial, com os pés na terra

Por que decidi voltar ao blog agora

19.07.25 | Vânia

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Criei este blog em 2016 numa fase de viragem na minha vida. Comprava roupa nova todos os meses, tinha dezenas de sapatos e malas, mais de 50 vernizes e um armário a transbordar. Mas o excesso não era só material — eu própria estava cheia de desejos, ideias e projetos, mas, na verdade, sentia-me bastante confusa. Foi então que o minimalismo entrou na minha vida — e este blog com ele. Trouxe clareza, leveza e espaço. Dentro da casa, mas sobretudo dentro de mim.

 

A partir de 2019, o blog foi ficando de lado. Nesse ano nasceu a minha filha, e com ela uma nova vida, completamente diferente da anterior. O minimalismo, tal como o conhecia e praticava antes, ficou esquecido durante algum tempo. E tenho de admitir: é difícil ser minimalista quando se é mãe. Manter uma casa organizada, um armário cápsula, rotinas simples e leves… tudo isso pareceu, durante muito tempo, fora do meu alcance e da minha realidade.

 

Nestes últimos anos, muita coisa mudou. Mudei de casa, de ritmo, de vida. Saí da cidade e vim morar para uma pequena aldeia no interior do Alentejo. Passei a dedicar quase todo o meu tempo à maternidade — e, nesse processo, fui perdendo partes de mim. Aos poucos, fui confundindo o meu valor com a minha produtividade. Acreditava que uma casa impecável, brinquedos arrumados, refeições caseiras e tudo sob controlo mostravam que eu estava a fazer “bem”.

 

Mas chegou o momento de parar. De respirar. De simplificar. Percebi que o meu valor não está nas tarefas que cumpro, mas na forma como estou — comigo, com a minha filha, com a vida. Hoje, em 2025, vejo o minimalismo com outros olhos. Já não o idealizo, nem o tento encaixar numa lista de regras. Tenho uma visão mais realista, mais humana, mais leve. Um minimalismo possível, vivido com os pés na terra e o coração presente. Ele voltou à minha vida de forma natural, no tempo certo — depois da maternidade, depois da mudança, depois de me reencontrar.

 

Volto agora a este blog com vontade de partilhar esta nova fase. Não para ensinar, nem para influenciar. Apenas para contar a minha história — que, talvez, tenha pontos em comum com a tua.

Se te fizer sentido, senta-te comigo.
Bem-vinda de volta.

Vânia