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Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

Qui | 31.10.19

Quem quer ser minimalista?

Veja por onde começar

Vânia

Imagem de Monfocus por Pixabay

Estava em 2016, num emprego que odiava e que estava a destruir a minha saúde mental (Post relacionadoA felicidade numa sociedade de consumo). Quando estava perto de um burnout consegui perceber e sair atempo. Despedi-me sem direito a nada mas com direito a recuperar a minha saúde. Estar num trabalho que quase destruiu aquele que é para todos o bem mais precioso, obrigou-me a parar e a repensar toda a minha vida. Estava em piloto automático e por isso mais vulnerável ao apelo consumista e acreditava que ter cada vez mais coisas seria o caminho para a felicidade.

Este foi para mim o click deu início ao meu processo minimalista. Se chegou até este post é porque talvez também já tenho o seu click

Não tem, necessariamente, de seguir esta ordem mas este pode ser um dos caminhos para uma vida minimalista, mais simples, com mais propósito, menos consumo e menos confusão. 

 

Destralhe a sua casa
Comece por destralhar a sua casa (Post relacionadoComo destralhar a sua casa). Não precisa começar a deitar tudo o que tem fora, até porque isso não seria nada ecológico. Este é um processo longo e demorado. Eu comecei por arrumar cada uma das divisões por sua vez e aos poucos foi percebendo o que realmente usava e o que já não me fazia falta. O destralhe é uma coisa que se treina. A principio é difícil perceber se queremos manter aquela camisola ou dar alguém, ou se precisamos daquele robot de cozinha multifunções que só usamos uma vez, mas com o tempo estas decisões passam a ser mais simples (Post relacionado - Nada do que não tenho me faz falta). Comece por uma gaveta e vai ver que a cada dia fica mais perto de ter uma casa sem acumulação e mais minimalista.

 

Consuma de forma mais consciente
Enquanto estava neste processo longo de destralhar a minha casa percebi que podia viver com muito menos do que imaginava. Se estava a reduzir os meus bens aos essenciais, então tinha muito pouca necessidade de adquirir coisas novas para a minha casa, para o meu roupeiro ou até para mim. Reduzir o consumo e fazer compras mais conscientes é uma das partes fundamentais do minimalismo (Post relacionadoDicas para compras mais conscientes). Comece por identificar onde gasta mais o seu dinheiro e se esse gasto é realmente importante para si e depois basta reduzir ou até mesmo eliminar. O importante é que tenha consciência do que está a adquirir para a sua vida e sua real importância, eliminando assim de todo as compras por impulso. (Post relacionadoDuas dicas para não mais se arrepender das suas compras)

 

Destralhe a sua vida

Aqui também é possível fazer um destralhe. Sabe aquelas pessoas com as quais não tem a mínima vontade de ir beber o cafezinho e deitar conversa fora, aqueles compromissos de fim de semana para os quais não faz questão nenhuma de estar presente. Não vá, diga que não! Cortar da minha vida amizades tóxicas, pessoas negativas e eventos dos quais eu não queria estar foi um caminho para uma vida mais simples. Viver aquilo que realmente quer viver é mais importante do que fazer aquilo que a sociedade acredita que deve de fazer. Elimine da sua vida todas as pessoas e tarefas que não o/a fazem feliz.

 

Viva com mais propósito 

Ao perceber que podia ser feliz com menos coisas e consumindo menos, automaticamente não precisava de ganhar muito dinheiro para manter um estilo de vida confortável e acima de tudo com propósito. Reduzir os bens materiais faz-nos dar valor as coisas que são realmente importantes na vida. Para mim ao abdicar desta necessidade de ganhar mais dinheiro para poder ter cada vez mais coisas, deu-me espaço para pensar naquilo que me realizaria enquanto profissional. 

Abdiquei dos ditos empregos tradicionais das 9h às 18h e de um ordenado fixo. Trabalho agora a recibos verdes num regime de prestação de serviços. Sou instrutora de Yoga e amo aquilo que faço, contudo, todos os meses o quanto vou ganhar o quanto vou trabalhar ou os meus horários são uma incógnita. Apesar desta "instabilidade" assustar muitas pessoas a minha volta, considero que não ter nada fixo até mesmo o ordenado é para mim uma forma de liberdade. 

 

Qui | 24.10.19

A felicidade numa sociedade de consumo

Vânia

Imagem de Michael Gaida por Pixabay

Domingo à noite, já me encontro numa espécie de sofrimento interno. Tento aproveitar os últimos momentos de descanso pois amanhã regresso ao trabalho. O fim de semana é sempre muito pequeno, passa rápido, parece nunca ser o suficiente para me sentir restabelecida.

Segunda 6h da manhã, toca o telemóvel para me despertar. A minha vontade é de ficar na cama, passa pela minha cabeça imagens do meu local de trabalho e percebo como o odeio tanto. Penso nas consequências de faltar um dia ao trabalho ou de chegar atrasada e em como isso representa um desfalque nas minhas contas já desfalcadas. Tomo banho faço a minha rotina matinal como se de um robot se tratasse. Não tenho sentimentos, faço por tenho de fazer, todos o fazem, é a vida. 

No comboio sento-me ao pé da janela, quando é possível. Aproveito para ouvir um pouco de música. Muitas vezes é isso que me dá motivação para sair de casa, poder ouvir alguns minutos de música enquanto observo a mesma paisagem todos os dias mas da qual não me canso. 

Chego ao trabalho, todos estão com a mesma cara que eu, todos referem que chatice é ser segunda-feira. Todos falam apaixonadamente do seu fim de semana. Sento-me em frente ao computador e inicio o meu trabalho. Quando vejo o que tenho em mãos odeio ainda mais a minha vida, odeio aquele trabalho e todo nele. As pessoas são todas mal pagas, amarguradas, invejam constantemente os bens uns dos outros como se todos não tivessem as mesma dificuldades. 

Apesar disso todos ostentam bons telemóveis, roupas e sapatos novos constantemente. Parece que trabalhamos para ter a possibilidade de nos vestir-mos bem para ir trabalhar.

Sou chamada a uma reunião, a equipa excedeu as expectativas, conseguimos os objectivos do mês mas não é o suficiente, nunca é o suficiente, querem mais. Saímos da reunião meio derrotados e com ordens para trabalhar ainda mais em troco de nada, por amor a camisola, porque a empresa precisa e, ou estamos com a equipa ou não estamos. 

Apesar da vontade de mandar tudo pelo ar tenho de ficar, preciso de emprego, preciso de estabilidade. Estabilidade... estabilidade de viver em sofrimento todos os dias! Não deixa de ser estável, amanhã será tão doloroso como hoje. 

Regresso a casa, a sensação de libertação é boa, mas demoro mais de uma hora a chegar o que me faz perder as forças para realizar todos os planos que tinha em mente assim que me livrei do trabalho. Ginásio, caminhada, ler um pouco...  já não tenho tempo nem disposição.

Recordo-me que amanhã tenho de recarregar o meu passe de comboio, a empresa ainda não pagou o ordenado o já vem sendo costume. A solução é igual a do mês anterior, comprar bilhetes a preço de ouro até que a empresa nos pague. 

Chego a casa, faço o jantar e preparo marmita do dia seguinte, desabafo com o meu marido o quão horrível foi o meu dia. Noto na expressão dele o cansaço de quem também trabalhou o dia todo e já conhece este meu discurso, no entanto, ouve de forma paciente. Sento-me no sofá e penso finalmente que vou ter um momento de descanso. A minha mente está demasiado cansada, passei o dia frente a um computador, já é tarde e amanhã tudo recomeça. 

Vou para a cama, na minha cabeça já passa em forma de filme todo o que tenho para fazer no dia seguinte e o quanto odeio o meu trabalho. Apesar da vontade de mandar tudo pelo ar tenho de ficar, preciso de emprego, preciso de estabilidade. Estabilidade... estabilidade de viver em sofrimento todos os dias! Não deixa de ser estável, amanhã será tão doloroso como hoje. 

Terça 6h da manhã, toca o telemóvel para me despertar. A minha vontade é de ficar na cama...

 

Esta já foi a minha realidade durante 2 longos e dolorosos anos, talvez também seja a sua...

Seg | 21.10.19

Duas dicas para não mais se arrepender das suas compras

Vânia

Imagem de gonghuimin468 por Pixabay

Quem nunca chegou a casa com aquela peça de roupa linda que acabou toda enrolada ao fundo do roupeiro sem que tivesse a hipótese de ver novamente a luz do dia? Quem nunca comprou aquele electrodoméstico super sofisticado com mil funções e o usou apenas uma única vez porque dava imenso trabalho a lavar? Quem nunca comprou aquele objeto decorativo e acabou por encher mais a casa, ser mais uma coisa para limpar e não acrescentou assim tanto a sua casa como pensava. 

Com toda a certeza já se arrependeu de alguma coisa que comprou assim que chegou a casa ou algum tempo depois.

Como parar de fazer este tipo de compras, as compras por impulso? As vezes as coisas são tão baratas que o arrependimento não é muito. Mas quando são coisas caras ficamos a chorar pelo nosso dinheiro algum tempo. Seja qual for a situação pode reduzir este tipo de consumo e poupar alguns trocos para coisas de que realmente precisa.

 

Artigo relacionado : Dicas para compras mais conscientes

 

Dica 1

Antes de adquirir seja o que for, converta o valor dessa compra em horas de trabalho. Sim, em horas de trabalho, portanto esse objeto vai-lhe custar, imaginemos 45€, ganha X€ por hora isto vai-lhe custar Y horas de trabalho. Quando pensa que uns sapatos, por exemplo, custam 5 horas de trabalho, talvez pondere se realmente precisa deles em vez de comprar no impulso. É que 5 horas de trabalho ainda são 5 horas de trabalho!

Atenção, que o objetivo não é comprar mais barato. Porque outro ponto importante é a qualidade daquilo que obtém. Deve de adquirir as coisas com a melhor qualidade que o seu orçamente lhe permitir para que aquilo que comprou lhe possa servir pelo maior tempo possível.

 

Dica 2

Por outro lado, existem coisas que podem ser realmente baratas e esta conversão em horas de trabalho levar-nos a pensar que podemos comprar sem arrependimentos. Não é bem assim! Vejamos outro exemplo, porque precisa daquela camisa branca? É barata e gostou dela, porque não comprar? 

Na verdade pode comprar já, mas antes aguarde alguns dias (pode estipular um prazo se quiser, uma semana, ou um mês por exemplo), não compre de imediato só porque é barato.

Atenção, esta estratégia também é válida para compras de valor mais avolutado! Eu diria até que nesses casos este tempo de ponderação é bastante importante, porque compras mais caras, maior pode ser o arrependimento.

Se nos próximos dias identificar situações em que a tal compra lhe iria facilitar a vida ou suprir alguma necessidade então volte lá e compre, agora com a certeza que é algo que lhe faz falta. Se por acaso nesse período de tempo nem se lembrou de tal coisa então é porque não lhe faz assim tanta falta. 

 

Por aí algum arrependimento com compras?

Qui | 17.10.19

Os documentários sobre minimalismo que todos deviam de ver

Vânia

Imagem de Pexels por Pixabay

Pretende perceber em que consiste este estilo de vida minimalista, pretende ter uma maior consciência em relação ao consumo ou simplesmente por curiosidade estes são os documentários que tem de ver. No meu caso foi devido a um deles que despertei para esta temática e percebi realmente o caminho que estava a tomar e para onde pretendia realmente ir.

 

Minimalism: A Documentary About the Important Things

https://ourgoodbrands.com/what-is-minimalism/

Para mim os pais do minimalismo, Joshua e Ryan de 30 anos já tinham alcançado tudo, um bom emprego, progressão na carreira, casa carros... no entanto não estavam felizes. Trabalhavam muitas horas para pagar tudo aquilo que tinham e com a ambição de ter cada vez mais. Neste caminho sentiam que não eram donos do seu tempo e juntos descobriram o minimalismo. Estes dois autores actualmente ajudam mais de 2 milhões de pessoas a seguirem este estilo de vida quer através dos seus livros (ainda não disponíveis em português), do seu site The Minimalist, dos podcast disponíveis no You Tube ou do documentário na Netflix

A História de Joshua e Ryan é semelhante a de muitas outras pessoas que perceberam que ter menos seria o caminho para uma vida com mais propósito. Este documentário desperta-nos para várias questões, desde consumo ao espaço até a forma como andamos distraídos na tentativa de ter cada vez mais coisas.

Já revi este documentário várias vezes para me ir recordando daquilo de alguns conceitos, não me canso de o ver e por isso acho que se pretendem começar por algum lado para seguirem um estilo de vida mais simples, este é o documentário. Preparem as pipocas.

 

The True Cost

https://www.rsm.nl/about-rsm/news/detail/6302-the-true-cost-documentary-and-debate-on-wednesday-april-6/

O verdadeiro custo da moda! Foi por aqui que descobri o minimalismo. Este documentário despertou-me a atenção na Netflix e depois de assistir tive de repensar totalmente a forma como andava a consumir a moda. Neste documentário percebemos como funciona na realidade a industria da moda e como são uma das mais poluidoras, exploradoras dos mais pobres e com menos consideração pela saúde do mundo e do ser humano e como nós todos (muitas vezes sem ter consciência disso) compactuamos e contribuímos para isso.

Na altura pretendia criar um Blog de moda mas este documentário foi como um murro no estômago e nada disso já fazia sentido para mim. Entrei num processo onde comecei por criar meu Guarda Roupa Cápsula, fiz um destralhe na minha casa e na minha vida e nasceu assim o Ter Menos Ser Mais. 

 

Tidying Up with Marie Kondo 

https://www.joe.ie/movies-tv/life-lessons-tidying-up-marie-kondo-658263

Mais recentemente assisti a Magia da arrumação com Marie Kondo. Já conhecia os livros desta Japonesa guru da organização, nomeadamente o livro "Arrume a sua casa arrume a sua vida" e por isso quando o documentário saiu estava bastante curiosa. O documentário consiste na visita de Marie Kondo a várias famílias americanas. O que todas estas famílias têm em comum é uma casa cheia de tralha, com uma acumulação enorme de roupa, sapatos, livros, objectos de colecção... todas estas famílias se sentem assoberbadas no meio do excesso e referem que ter as suas casas assim é por vezes stressante e cansativo pois a mesma nunca tem um aspecto organizado. 

Neste documentário a autora explica também o seu método KonMarie para dobrar e organizar melhor qualquer peça de roupa. Sou fã destas dicas e já as uso desde a época que li o livro. Portanto se precisa de uma motivação extra para atacar o seu roupeiro e reduzir a confusão em sua casa e quer saber as melhores técnicas de organização tem de assistir ao documentário desta pequena e amorosa deusa do destralhe. 

 

Tiny House Nation 

https://whatsnewonnetflix.com/norway/1616594/tiny-house-nation-2019

Não sendo este um documentário exactamente sobre minimalismo é possível perceber que todas estas famílias estão a procura de uma vida mais simples e começaram por reduzir o espaço em que vivem. Todas elas vão viver para pequeníssimas casas e assim livraram-se da despesa da renda de casa e de muitos outros bens materiais. Vale apena assistir até porque todas as casa ficam lidissimas e têm excelentes ideias de como aproveitar bem o espaço.

Se tivesse coragem (vá e também algum dinheiro) contruía uma destas casas, até lá vou-me inspirando com estes episódios que entretanto saiu recentemente a segunda temporada. Já tenho programa para este fim de semana. 

 

Deixo estas sugestões para o fim de semana de chuva que se avizinha. Qual vai querer ver primeiro?

Ter | 15.10.19

Como anda o meu armário cápsula

Recordando algumas regras

Vânia

Imagem de StockSnap por Pixabay

A cada estação do ano construo o meu armário cápsula mas a realidade é que neste momento o meu roupeiro e gavetas estão uma tremenda confusão e não se parece em nada com a cápsula de outros tempos.

 

Depois do meu armário cápsula de grávida que foi o mais pequeno que alguma vez tive, 15 peças incluindo sapatos e malas, no pós parto tornou se uma autêntica confusão. Confesso que estava cansada de estar tão limitada no que diz respeito as minhas roupas, não pelo número de peças mas por poder vestir só o que me servia. No final da gravidez pouca coisa me servia, então quando o barrigão foi embora (ou parte dele) quis recuperar as minhas roupas antigas das quais tinha algumas saudades. Assim que tive oportunidade retirei das caixas e coloquei de novo no armário.

 

Mas à medida que as ia tentando vestir deparei me com um corpo completamente diferente, o meu gosto pelas peças de roupa, ele próprio, alterado e claro grande parte das roupas continuavam sem me servir.

 

Depois de esperar três meses e de continuar a usar calças de grávida passei por um processo de aceitação (mas não de resignação) e percebi que mesmo com a perda de peso as minhas formas e o meu corpo ficaram diferentes depois da gravidez. Minimalismos a parte aceitei e comprei algumas peças novas nomeadamente 2 calças e uma blusa de Verão outra de Outono um número a cima daquilo que vestia antes da gravidez.

 

No entanto, entrando somente quatro peças de roupa novas a confusão instalou-se no meu roupeiro, Tenho gavetas com calças que não me servem e blusas que me ficam apertadas ou com as quais já não me sinto bem. Tenho roupa de verão misturada com roupa de Outono/Inverno que ainda não sei se consigo entrar dentro delas. Bem é isto, uma grande confusão.

 

Portanto a nova estação é o ideal para por mãos a obra e fazer uma nova cápsula tomando em consideração as alterações físicas pelas quais passei. Este GRC (Guarda Roupa Cápsula) servirá para Outono/Inverno portanto duas estações, cerca de 6 meses mais coisa menos coisa. A única diferença do armário cápsula de Outono para o de Inverno é que no Outono mantenho duas ou três peças de verão para aqueles dias ainda quentes ou para usar por baixo de um casaco e no armário de Inverno troco estas blusas por camisolas de malha bem quentinhas.

 

Vamos então recordar algumas "regras" para a realização do GRC

Destralhar- O armário só é organizado e minimalista se lá estiver única e exclusivamente as peças de roupa que realmente usamos, e as peças que realmente usamos são aquelas que mais gostamos. Tudo aquilo que já não usamos, não serve, esta danificado ou não gostamos deve de ser dado, vendido ou deitado fora no caso esteja estragado

Número de peças - Ao longo dos anos que foi construído os vários armários cápsula percebi que não é preciso estarmos presas a um número. Habitualmente as cápsulas tem entre 30 a 40 peças, mas já tive roupeiros mais pequenos (15 peças na gravidez) e roupeiros com mais peças, nomeadamente no Inverno que nos vestimos por camadas. 

Organização- É importante que o roupeiro esteja bem dobrado e organizado e que as roupas sejam guardadas de forma a ficarem todas a vista. Assim conseguimos ter uma visão de tudo aquilo que temos e torna-se mais fácil escolher o que vestir. Eu uso o método konMari (vídeo no you tube) para dobrar roupa que acho óptimo, apesar de, para mim, não funcionar com todo o tipo de peças.

Local de arrumação- Percebi pelo meu armário cápsula na gravidez que ter toda a roupa que uso num único local facilita grandemente na hora de escolher o conjunto para vesti. Ter as blusas em gavetas da cómoda, calças em gavetas no roupeiro e as camisas penduradas em cabides pode aumentar o tempo de procura das peças e ao mesmo tempo dificultar a sua precessão daquilo que tem ao seu dispor para usar. 

Paleta de cores- As cores das nossas roupas para que as mesmas sejam o mais versáteis possível, ou seja, que combinem com o maior número de outras peças devem de obedecer a uma determinada temperatura. Não que tenha de ficar presa ao preto e branco ou a tons terra mas deve de ter cores da sua paleta de cores no maior número de peças e também apostar em cores neutras que aumentam e muito o grau de possibilidades de combinações. Evitar os padrões e estampados também ajuda a ter um guarda roupa minimalista e versátil, contudo isto não é uma regra pode dar sempre asas a sua imaginação. 

 

Prontas para começar o vosso Guarda Roupa Cápsula?

 

Sex | 11.10.19

Já não tenho, já não uso, já não compro

Vânia

Imagem de StockSnap por Pixabay

Ao longo de três anos de minimalismo já perdi a conta a quantidade de coisas de que já não tenho, que deixei de usar e que deixei de comprar. Algumas delas com pouco significado económico na minha vida outras com um peso enorme no meu estilo de vida. 

Deixei de usar maquilhagem todos os dias. A determinada altura da minha vida percebi que a necessidade de andar todos os dias maquilhada passou a ser um peso para mim. Escondia-me por atrás de uma quantidade enorme de produtos de beleza não sendo capaz de ir despejar o lixo sem me maquilhar. Atualmente saiu tranquilamente e segura de mim própria com muito pouca ou mesmo nenhuma maquilhagem. Isto acabou por me levar a deixar de comprar muitos produtos dos produtos que me sentia "obrigada"min a usar . Posso dizer que atualmente apenas uso 5 produtos e que os vou comprando na medida em que se gastam. Faço maquilhagens simples e rápidas e adquiri um estilo mais clean.

Já não tenho carro. Aqui em casa eu e o meu marido tínhamos os nossos carros de solteiros. A determinada altura trocamos um dos carros por um carro familiar e ao fim de muito pouco tempo percebemos que para além de usarmos muito pouco o meu carro, por ser mais pequeno, este representava uma despesa enorme no nosso orçamento. Vendi o meu carro e temos à cerca de um mês um único carro que gerimos entre ambos conforme compromissos e trabalho. Nem sempre é prático irmos a determinados sitios com um carro familiar por se ter uma maior dificuldade para se encontrar estacionamento, mas para já tem sido o único incoveniente e  no final das contas o saldo é positivo.

 

Já não compro presentes de Natal. É verdade, desde o natal de 2016 que não ofereço presentes a ninguém da família ou amigos. No primeiro ano avisei desta minha decisão e também pedi que não me fossem oferecidas prendas pois andava num processo de destralhar a casa e o guarda roupa. Ninguém estranhou, aliás acho que até me agradeceram. Esta pressão de ter de oferecer algo só porque tem de ser, para mim, já não faz qualquer sentido. Nos natais subsequentes já ninguém estranhou a ausência de presentes e posso dizer que alguns familiares inspirados por mim fizeram o mesmo desde então. Já viram o alívio que é não ter de ir para filas em lojas de centros comerciais em dezembro e sim desfrutar desse tempo junto da família. Isso sim é o verdadeiro espirito de Natal.

 

Já não compro jogo. Não sou daquelas pessoas que todas os dias arrisca a sua sorte numa Raspadinha ou que joga todas as semanas no Euro Milhões mas jogava algumas vezes. Como praticamente a grande esmagadora maioria das pessoas, perdi muito mais do que alguma vez ganhei. Do que me lembro os prémios mais significativos foram 20 Euros e 10 Euros em Raspadinhas, o que é uma insignificância perante todo o dinheiro que já gastei. Portanto eliminei de vez este gasto, deixou de fazer sentido para mim, até porque se pretendo ter um estilo de vida minimalista para que querio o Euro Milhões? Brincadeiras a parte, apesar de não ser um gasto significativo deixou de ser um gasto para mim. 

 

O mais importante neste processo de eliminar despesas ou hábitos não é a quantidade. Cada pessoa sabe aquilo que lhe faz falta. Não precisa vender o seu carro para ser minimalista, na realidade os seus pertences têm de ser aqueles de que realmente fazem sentido e suprimem uma necessidade real no seu estilo de vida.

 

E por ai, o que já deixaram de comprar?

Seg | 07.10.19

Nada do que não tenho me faz falta

Vânia

Imagem de DarkWorkX por Pixabay

Nesta minha viagem pelo minimalismo, que se iniciou em 2016 após um longo período de desemprego, foram muitas as coisas das quais me desfiz, que dei ou vendi e que deitei fora.


Um dos argumentos que mais usamos para nós próprios quando estamos num processo de destralhar a nossa casa (ou/e a nossa vida) é que aquilo pode um dia ainda vir a ser útilFoi a pensar desta forma que durante anos acumulei muita coisa inútil (para mim) e, grande parte das vezes, o dia em que tal objeto voltaria a ser útil nunca chegou.

 

Agora, se houve vezes em que abdiquei de alguma coisa e posteriormente vim a precisar desse mesmo objeto? Sim, já aconteceu. Mas foram coisas tão pouco significativas que não me consigo recordar que coisas foram exatamente. Ou seja a ausência de tais objetos não causou um imprevisto tão grande na minha vida ao ponto de necessitar de voltar a comprar o que achava que já não precisava.

 

Foi nestas pequenas situações que percebi que o pior que pode acontecer quando destralhamos a nossa casa é abdicar de algo que possa vir a ser útil novamente mas que essa falta é tão pouco significativa que não cause nenhum transtorno que não seja facilmente solucionável.

 

Somos apegados em demasia aos bens materiais, ficamos com muita pena de abdicar de coisas que já não nos são úteis, já não nos servem, já não estão alinhadas connosco e com a nossa forma de estarmos na vida, mas por algum motivo sentimos receio de deixar de parte aquele objeto.


Para ultrapassar este "medo" passei a perguntar a mim própria, quando foi a última vez em que aquilo me foi útil e a questão mais importante, no caso de me desfazer daquilo o que de pior pode vir a acontecer? A resposta é sempre a mesma, o que de pior pode vir a acontecer é ter de comprar novamente, situação que em três anos nunca aconteceu. Quando ultrapassamos este receio é percebemos que são apenas coisas rapidamente entramos num processo minimalista, sem pesos na consciência nem sentimentos de culpa ou de perda.

 

Por onde começar:

Comece por se perguntar a si mesmo/a quando foi a última vez que usou aquele objeto. Se no último ano não usou ou se nem se recorda da última vez então já sabe o seu destino. Dar,vender reciclar e, atenção, só por último deitar fora.

Preparado para iniciar o destralhe da sua casa/da sua vida?

Qua | 02.10.19

Mãe produtiva, a simplificar os meus dias

Vânia

Imagem de Bruno Glätsch por Pixabay

Num blog de minimalismo é de esperar que seja abordado o tema organização e produtividade e por isso poderia-vos falar de como organizo a minha agenda/bullet journal/to do list. Mas venho vos falar porque deixei de usar este tipo de organizadores e como isso melhorou a minha produtividade.

 

Primeiro antes de mais tenho de vos dizer que durante muitos anos usei agenda, passei pelo bullet journal e ainda tentei as to do list. Reconheço, obviamente, a sua utilidade. Não nos esquecermos de tarefas e/ou compromissos, termos uma ideia de como vai ser o dia/semana/mês e do quanto já se está ocupado para poder, ou não, marcar outros compromissos, são algumas das vantagens. 

 

Quando agendava as minhas tarefas diárias com o objetivo de me tornar mais produtiva tinha sempre sempre, sempre a tendência de colocar mais tarefas do que aquelas que alguma vez conseguiria cumprir. Posso dizer que sou uma optimista, ou talvez, pouco realista. Resultado, não cumpria o programado. Conclusão, chegava ao final do dia frustrada.

 

Pior, acumulava as tarefas não realizadas num dia anterior para o dia seguinte e mais uma vez era impossível fazer tudo. A vida tem imprevistos, as coisas demoram mais tempo a serem feitas do que nós sempre achamos e, claro, mais frustração. Nem vou falar das to do list que também tentei. Agendava 10 tarefas para um dia e talvez conseguisse cumprir 2. Enfim... Acho que sou mesmo muito optimista. 

 

Deixar de usar agenda foi um alívio, deixar de procurar, constatemente, ser altamente produtiva fez com que me torna-se, finalmente, uma pessoa produtiva! Para mim, mais um passo no sentido de uma vida mais simples. 

 

Então como me organizo? Na verdade de forma muito simples e de modo a não causar qualquer sentimento de frustração. Tudo aquilo que não me posso esquecer como consultas médicas, compromissos profissionais ou datas limite estão num simples papel no frigorífico para que toda a família tenha conhecimento. Até porque acabam por ser tarefas que interferem com todos em casa. Não sou a gestora de uma grande empresa mas sou a gestora da minha casinha, e garanto que isso e cuidar a tempo inteiro de uma bebé de 4 meses é coisa que acarreta uma enorme e necessária organização. Para além de ser um trabalho totalmente a tempo inteiro e sem direito a fins de semana, feriados ou férias. 

 

Para que eu própria seja mais produtiva não estabeleço dias ou horas para a realização de tarefas, apenas verifico conforme o decorrer do dia, a minha disposição e aquilo que o tempo que sobra entre os cuidados com a bebé me permitem fazer. Claro tenho na minha mente o que naquela semana deverá ser realizado mas não torno isso numa obrigação com hora marcada. Deixo o dia fluir e analiso aquilo que consigo encaixar dentro do tempo e disposição que tenho naquele momento. 

 

Vantagens

--- » Não é preciso ter uma agenda ou qualquer outro tipo de organizador;

--- » Não perco tempo a organizar a agenda e a pensar num programa diário de tarefas;

--- » Realizo as tarefas para as quais estou mais predisposta e por isso as mesmas tem maior probabilidade de ficarem concluidas;

--- » Termino o dia com sensação de dever cumprido pois no fim foco sempre no que foi realizado e não naquilo que ficou por fazer;

--- » Evito a frustração e procastinacão;

--- » Mantenho o foco num dia-a-dia positivo e fluindo e não numa ordem de organização quase sempre irrialista;

 

E por ai como fazem para serem mais produtivos?