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Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

Seg | 30.09.19

Viver no interior do país, o sonho minimalista

Vânia

Imagem de Frank Nürnberger por Pixabay

Cá por casa temos todos um sonho, sair da cidade e ir viver para as nossas terras de origem. O meu marido é de uma pequena Vila do alto Alentejo no interior do pais e pelo menos uma vez por mês visitamos familiares por lá. Sabemos, por isso, ainda mais o meu marido que passou a maior parte da sua existência a viver naquela Vila, a qualidade de vida que por lá se tem, como os dias parecem ter mais que vinte e quatro horas. Lá não nos sentimos sós, o custo de vida é mais baixo e diria eu que temos uma vida mais saudável.

 
Para simplificar, ser mais minimalista passa por sair da cidade, mais agora que tivemos a nossa bebé. Queremos neste momento, acima de tudo, dar-lhe qualidade de vida, sem correrias sem grandes stresses, com tempo para estar e para ser. Várias vezes falamos dessa nossa vontade e nas mil e uma formas possíveis para realizar esta mudança. E eu recentemente disse:
 
"Nós precisamos é de nos enchermos de coragem e avançar, deixar de imaginar como poderia ser e simplesmente agir".
 
Coincidência ou não dois dias depois soubemos por familiares de uma casa para alugar na Vila, coisa que não é nada fácil de se encontrar por lá. Fomos de fim de semana para ver a casa, já com imensos planos nas nossas cabeças, contudo, a casa não tinha as dimensões que esperávamos, não que pretendêssemos ter uma casa grande, mas alguns dos nosso móveis e eletrodomésticos não cabiam nas divisões. Adquirir móveis ou eletrodomésticos novos não estava de todo dentro do orçamento disponível para a mudança. 
 
 
No mesmo fim de semana surgiu outra casa para alugar, esta que já tinha espaço para acomodar os nossos móveis, contudo, era também uma casa antiga, que parecia bastante húmida (os invernos no alentejo são bastante frios, pelo menos para mim que sou Algarvia) e com um único quarto e uma cozinha com necessidade de alguns arranjos. As grandes vantagens desta casa era o pequeno quintal e uma varanda que iria permitir uma liberdade à bebé que num apartamento na capital não temos.
 
 
Agora imaginem o que é morar a 200 metros da cresce dos vossos filhos! Sim a 200 metros, não é necessária acordar a pequena de madrugada para ir para o trânsito a fim de a deixar na escolinha. Só aqui ganho de qualidade de vida gigante para nós e para ela. Na Vila temos farmácia, banco, correios, escola até ao nono ano, cafés e restaurantes, isto sem necessidade de pegar no carro. Os avós por perto para dar uma ajuda com a pequena. E a falta que fazem os avós! A cidade mais próxima a cerca de 7 km e ainda temos a nossa vizinha Espanha a 20 km. 
 
 
Tudo se encaminhava, o universo ele próprio criou a oportunidade, iríamos ter o último estágio de uma vida minimalista, viver longe da cidade, com vista para um campo cheio de ovelhas, com espaço e liberdade para a bebé e num tempo que corre a uma velocidade diferente. Mas, sim há sempre um mas, na altura de avançar com tudo, confirmar o aluguer da casa e contratar uma carrinha de mudanças faltou-nos a coragem. 
 
 
O meu marido teria de continuar a trabalhar em Lisboa e estaria, por isso, obrigado a estar afastado de nós durante toda a semana, viajando todos os fins de semana para passar o fim de semana em casa.
 
 
O que ganharíamos em vida simples perderíamos em convivência, em estarmos todos juntos, em acompanharmos juntos diariamente o crescimento da nossa bebé e aí faltou-nos a coragem. 
 
 
Uma mudança que ansiávamos desde que nos conhecemos, quando ganhamos finalmente coragem, no fim, essa mesma coragem faltou-nos. Aquilo que nos fez querer mudar, proporcionar melhor qualidade de vida a nossa bebé, foi também aquilo que nos fez recuar. Sem esperar acabei por fazer uma análise, que nos seres humanos temos um tendência natural para focar sempre naquilo que nos falta, naquilo que queríamos ter, estar ou ser já eu sabia, não tinha era a consciência que eu própria o fazia nesta situação. 
 
 
Na verdade analisando bem a nossa vida na cidade, somos uns priviligiados tanto com os nossos empregos, o tempo que demoramos para nos deslocarmos para eles, a localização e conforto da nossa casa, acesso a bens e serviços entre muitas outras coisas para as quais passei a olhar com outros olhos. 
 
 
Temos uma vida minimalista o quanto baste mesmo vivendo na cidade, talvez porque ter uma vida com propósito não passa pelo local onde vivemos mas sim na forma como nos adaptamos onde vivemos.
 
 
A mudança não ficou de parte, talvez um dia consigamos realizar este sonho, talvez um dia se proporcione nos termos em que realmente gostariamos ou talvez um dia deixe de ser um sonho!
Sex | 27.09.19

Mãe a tempo inteiro, abdicar da profissão ou viver um propósito de vida

Vânia

Imagem de Terri Cnudde por Pixabay

Ingressei no ensino superior para ser aquilo que me prometiam se o fizesse, ser uma mulher independente. Criticava aquelas que, aparentemente, abdicavam da sua identidade em prol dos filhos, achando que os mesmos não seriam agradecidos e no final a prejudicada sempre é a mãe. 

Pois, a maternidade deve ser daquelas vivências onde mais "o peixe morre pela boca" pois quando temos um bebé a crescer no nosso ventre e quando temos um recém nascido nos braços, tudo muda, as nossas crenças mudam, nós próprias mudamos. 

 

E foi assim nesta, inevitável, mudança que eu, uma mulher casada de 31 anos, que se dizia independente e que achava que uma mulher não se deve anular pelos filhos, decidiu ser mãe a tempo inteiro, deixando para trás a sua, outra, profissão.

A realidade é que não sinto que estou a abdicar ou a perder algo, não consigo conceber de outra forma, não consigo entender porque uma mãe é "obrigada" a deixar o seu bebé aos 4/5 meses num berçario, quando a dependência do bebé da mãe é ainda total. Recorrendo aos meus instintos mais primitivos fiz esta opção. Mas faço-o, também, porque sou uma privilegiada e o posso realmente fazer. Quanto tempo irei ficar dedicada A tempo inteiro a casa e a minha bebé? Não sei, ficarei o tempo que for possível, que for necessário, que o meu coração assim o entender.

 

Agora posso dizer que sou uma mulher que segue uma corrente minimalista, que vivo de forma simples e com propósito. Sou uma mulher que se tornou mãe de uma menina e que reforçou, ainda mais, as suas crenças sobre o que é realmente importante na vida.