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Ter Menos Ser Mais

Encontre nas coisas simples a liberdade, a felicidade e a intencionalidade da vida

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Sex | 17.05.19

Guarda Roupa cápsula na gravidez. O mais minimalista de sempre!

Vânia Carranca

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Existe um sem número de coisas passíveis de adquirir para a gravidez e para a chegada do bebé, muitas delas meio inúteis ou com uma utilidade a curto prazo comparativamente ao preço. Mas teriamos aqui assunto para vários artigos, por isso vou-me focar na roupa de grávida, ou melhor como a gravidez me levou ao GRC (Guarda Roupa Cápsula) mais cápsula que alguma vez tive, 15 peças!

 

Quem já esteve grávida ou está sabe bem que a partir de determinada altura vestir torna-se um enorme desafio e adquirir roupas adequada as novas formas (ou falta delas) torna-se uma necessidade da qual, provavelmente, não podemos fugir. 

 

Sendo eu uma adepta do minimalismo e consumo com propósito tive de fazer alguma ginástica mental para aceitar que teria de comprar roupa adequada independetemente do tempo em que as iria usar face ao seu preço de aquisição.

 

Durante o inverno não foi dificil, adquiri 2 pares de calças de grávida (umas de ganga e uma pretas) e duas blusas de grávida (aqui confesso que foi pura vaidade, as blusas destacavam a minha barriguinha da qual estava extremamente orgulhosa). As calças foram esseciais pois todas as minhas calças me deixavam extremamente desconfortável. De resto continuei a vestir a minha roupa normal que ia tirando de "circulação" à medida que iam ficando apertadas e desconfortéveis.

 

Chegada a primavera e o tempo mais quente, logo mais inchaço que coincide com a minha fase final de gravidez e aqui surge o desespero, o que vou calçar e o que vou vestir? A barriga está bem grande, o inchaço não ajuda, uns quilos a mais acumulam-se naqueles sitios que todas sabemos e vestir-me começou a ser uma missão bastante dificil. Contra isso a gravidez está no final e parece um mau investimento estar a adquirir roupa nova para pouco tempo de uso. Tive de fazer novas aquisições mas passaram apenas por umas novas claças de ganga (dois números a cima do meu habitual) e uma t-shirt de grávida.

 

Aqui sim, tornei-me numa verdadeira minimalista! Como se custuma dizer, a necessidade aguça o engenho. Neste momento tenho ao meu dispor um verdadeiro armário cápsula de 15 peças de roupa (incluindo sapatos e malas).  Atenção já referi em outros artigos que a quantidade não é um fator importante para se ser minimalista, não é o número de peças de roupa que dita se somos mais ou menos consumistas. A quantidade depende do estilo de vida de cada pessoa e isso é bastante discutivel. Mas para este caso, que se tratou de um GRC que se formou a ele próprio sem que a minha vontade ou decisão fossem o critério de escolha o número permitu-me aprender algumas lições.

 

A sua constituição:

2 pares de calças

  • 1 calças de ganga de grávida 
  • 1 leggins pretas de grávida

1 vestido

  • vestido de grávida verde azeitona

8 blusas

  • 1 camisa verde clara 
  • 4 t-hisrt (uma verde azeitona de grávida, duas de riscas, uma creme e uma azul escura, uma de renda branca) 
  • 3 blusas de alças (uma branca, uma azul escura às riscas e uma preta)

2 pares de sapatos

  • 1 sandálias rasas, 3 números acima do meu número habitual 
  • 1 tenis pretos 

2 malas pequenas 

  • 1 mala branca 
  • 1 mala tricolor 


A escolha das peças e da quantidade que ficaram nesta cápsula não foi dificil, são simplesmente as únicas peças de roupa que  me servem. Desta forma não necessário registir  aquela tentação de deixar mais aquela blusa porque posso querer vestir no caso de, ou aquelas calças que talvez possam ser úteis.... percebem?

 

Agora a verdade é que todas elas são roupas de que gosto bastante, fruto do facto de fazer armário cápsula a cada 3 meses desde 2016 quando me iniciei neste percurso minimalista e por isso a roupa que se encontra atualmente dentro do meu armário são todas roupas de que realmente gosto e com as quais indentifico o meu estilo atual.

 

A realidade

Confesso que ao início deu-me assim aquele desesperozinho, vou andar sempre com as mesmas roupas? Mas bastou uma semana para perceber que tendo em conta que não estou a trabalhar e a verdade é que não me ausento muito de casa porque também estou obrigada a repouso moderado não preciso assim de tanta roupa e esta quantidade tem se mostrado mais que suficiente. Mesmo que a frequência de uso fosse maior tenho a certeza que seria suficiente.

 

As vantagens e desvantagens

A primeira e grande vantagem é que é muito simples escolher aquilo que vou vestir, são poucas peças e portanto a minha decisão fica muito facilitada. A maior parte das vezes a minha escolha cai sobre a praticidade que necessito da roupa tendo em conta o local onde vou. Tenho por hábito pensar com antecedência aquilo que vou vestir, e como são poucas roupas é fácil recordar-me de todas e fazer um conjunto na minha cabeça, e no dia basta simplesmente pegar e vestir.

 

Menos roupa para vestir, menos roupa para lavar e passar! Esta é outra das partes boas, contudo e apesar de ter pouca roupa para lavar e passar tenho de a lavar e passar em tempo útil de forma a poder voltar a vestir e não ficar, assim, sem qualquer opção. Não posso esperar ter uma maior quantidade de roupa para lavar tudo de uma vez porque acabo por ficar sem roupa para vestir. Tenho de fazer um melhor controlo daquilo que tem de ser lavado para voltar a colocar em uso assim que for possível.

 

Espaço e criatividade, são coisas que surgem com a quantidade de roupa que tenho. Acabo por fazer novas combinações, juntar acessórios para lhe dar outro ar e parecer assim que tenho mais roupa do que na realidade. Ajuda-me a não ficar aborrecida com o meu guarda roupa, afinal o estilo que transpomos para fora com as nossas roupas é também uma maneira de mostrar a nossa criatividade e formas de estar. Quanto ao espaço esse é indescutivel, pouca roupa ocupa pouco espaço e espaço é liberdade!

 

A minha roupa encontra-se numa única zona do meu roupeiro ( como se pode ver pela foto). Quando abro a porta consigo visualizar toda a roupa que está a uso o que é uma das coisas mais práticas que esta simples quantidade de roupa me mostrou. Não tenho de andar de gaveta em gaveta a procura de cada uma das peças para vestir. Ter tudo a minha frente facilita na escolha, na organização e na simplificação da minha vida! Adoro!

 

Para manter a longo prazo

A experiência tem sido tão positiva que pretendo prolongar mesmo depois da gravidez e depois que as minhas roupas voltem a caber novamente em mim. Aqui o número de peças vão aumentar mas vou "limitar" as peças de roupa, sapatos e malas aquele espaço do armário e à quantidade de cabides que tenho para a acumudar.  O ganho de tempo e a redução da necessidade de tomada de decisões é uma grande vantagem que pretendo manter na minha vida, ainda mais com a chegada de um bebé!

 

(Atenção, nesta experiência não me desfiz de nenhuma roupa, a roupa que não uso encontram-se em gavetas. Como aquelas que realmente me servem são muito poucas foi possível acumuda-las num único espaço mais acessível e visualmente mais atrativo).

 

Artigos relacionados: 

 

Qua | 15.05.19

Minimalismo

Vânia Carranca

 

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É uma forma de estar na vida onde é priorizado aquilo que é essencial, ou seja, aquilo que é realmente indispensável e necessário. O que se mostrar desnecessário e que apenas promove ruído nas nossas vidas, nas nossas casas, no nosso bem-estar deve ser removido, sempre com sabedoria. 

 

Aquilo que é considerado indispensável vai depender de cada pessoa, não existe um número de objetos máximos que uma pessoa deve de possuir. Conforme o estilo de vida que cada um tem e conforme aquilo que pretendemos obter com essa forma de estar na vida assim serão as nossas escolhas perante aquilo que realmente consideramos necessário.

 

Numa sociedade cada vez mais focada no consumismo e no materialismo, onde a obtenção da felicidade esta associada aquisição de bens materiais, ser minimalista pode parecer um contra senso.

 

Contudo, e do meu ponto de vista, o minimalismo não rejeita o consumo. Nós precisamos de consumir bens materiais, isso é um facto. Podemos, porém fazer a aquisição destes objetos de forma mais consciente dando intencionalidade aquilo que compramos para as nossas vidas. 

 

Outra ideia errada é que o minimalismo é uma firma de privação ou que quem o aplica é por necessidades económicas. É, apenas uma forma de estar na vida, independentemente das nossas posses. Tudo o que adquirirmos deverá ser o melhor que o nosso dinheiro pode pagar tendo essas aquisições uma necessidade real e uma intencionalidade.

 

Se está satisfeito com aquilo que possui, muito bem, não precisa de começar a deitar tudo fora só porque pretende adquirir uma vida mais simples. Agora se o excesso de coisas que tem na sua vida o estão a sobrecarregar de alguma forma, talvez seja a hora de iniciar algumas mudanças.

 

Porque o minimalismo não se trata apenas de uma moda e sim uma forma de viver mais livre, com mais intencionalidade. Uma forma de ter menos para, viver mais, sorrir mais, amar mais... SER mais!